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Uberlândia vai transformar lodo de esgoto em fertilizante e energia (171 notícias)

Publicado em 16 de julho de 2023

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Objetivo é implementar a 1ª planta industrial do Brasil para aproveitamento do lodo em larga escala

A prefeitura de Uberlândia está caminhando para aproveitar o lodo de esgoto gerado na cidade como matéria-prima para a geração de energia. O método, já aplicado no Paraná, transforma o que seria problema em solução para economia de recursos.

O lodo de esgoto é um subproduto gerado no processo de tratamento de esgoto. Quando descartado diretamente na natureza, causa impactos ambientais significativos. Geralmente, tal material é encaminhado para aterros sanitários. É assim hoje em Uberlândia, cidade do Triângulo Mineiro que produz 1,7 mil toneladas de lodo mensalmente.

A cidade mineira quer mudar essa realidade. Sabendo do potencial que tais resíduos sólidos possuem para aplicação na agricultura e na produção energética, a gestão municipal contratou um estudo técnico da empresa Companhia de Promoção Agrícola (Campo). A intenção é futuramente implementar a 1ª planta industrial do Brasil para produção em larga escala de energia e fertilizante a partir do lodo.

O primeiro passo, a partir do estudo técnico que será realizado ao longo de oito meses, é avaliar e definir o melhor modelo de implementação de uma planta industrial na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha.

Potencial no Brasil

O melhor aproveitamento dos resíduos resultantes do tratamento de esgoto é latente. Atualmente, são gerados 21,3 milhões de metros cúbicos de esgoto por dia no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, divulgados em 2017 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Deste total, porém, somente 67% do volume de esgoto gerado (14,3 milhões de metros cúbicos por dia) é coletado por rede. Uma parcela muito menor é tratada corretamente e aproveitada: menos de 5% do lodo sanitário é reaproveitado.

De resíduo à solução

Entre as possibilidades de aplicação do lodo, o foco de Uberlândia está em transformá-lo em gás combustível e biocarvão. Como combustível, forneceria energia suficiente para manter a própria planta de processamento. Já como biocarvão, pode potencializar o efeito de remineralizador de solo do pó de basalto na agricultura, formando um fertilizante organomineral.

“O tratamento de esgoto gera um subproduto que, processado de forma adequada, pode se tornar uma riqueza para a nossa cidade, com potencial para ser fertilizante do solo e fonte de energia”, ressalta o prefeito Odelmo Leão. “O que estamos fazendo aqui é dar mais um passo importante no sentido da ciência, da tecnologia e, sobretudo, em prol do desenvolvimento, da qualidade de vida e da geração de renda para nossa cidade”, completa.

Além de reduzir a emissão de resíduos, o projeto contribuirá com o aumento da vida útil do aterro sanitário e o aproveitamento dos compostos e nutrientes resultantes do tratamento do esgoto. “Nossa expectativa é que a energia gerada no processo de pirólise alimente a planta industrial de processamento de esgoto, e com esse subproduto, produzimos um fertilizante destinado às culturas agrícolas, dando uma destinação sustentável para o lodo”, afirma Renato Rezende, diretor-geral do Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgoto).

O Dmae calcula que, com a iniciativa, cerca de 21,6 mil toneladas de lodo deixariam de ser enviadas anualmente ao aterro por meio do projeto. Isso levaria a uma economia mensal de R$ 255 mil nos custos mensais com a destinação ao aterro sanitário.

“O que a Prefeitura de Uberlândia pretende fazer é pioneiro. Será a primeira unidade do país a usar lodo de esgoto na produção de energia e fertilizante em larga escala. E esse biocarvão, junto ao pó de basalto, vai gerar um fertilizante organomineral capaz de potencializar o sistema de renderização do solo”, explica o consultor técnico da área de energia da Campo, Edmar Gelinski.

Lodo que vira fertilizante

Em municípios do Paraná, onde o uso de lodo já é transformado em fertilizantes pela Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) desde 2007, agricultores são beneficiados. Além da vantagem financeira, há ganhos ambientais e de produtividade.

Estudos apoiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) indicam que a implementação de práticas mais sustentáveis de manejo do solo, como uso de insumos biológicos à base de resíduos orgânicos, ajuda a aumentar a eficiência e reduzir o uso de minerais críticos para a agricultura, como o fosfato.

“Os principais nutrientes do lodo distribuído pela Sanepar são nitrogênio, fósforo, enxofre, cálcio e magnésio, importantes para o desenvolvimento das plantas. Usada na higienização do lodo, a cal virgem contribui para a correção do solo nas áreas onde tem sido aplicada”, afirma a companhia.

O programa de uso agrícola do lodo de esgoto da Sanepar já foi indicado como referência pela Organização das Nações Unidas (ONU) e também foi destaque em saneamento no país, em uma premiação do Instituto Trata Brasil em parceria com o Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV (Fundação Getúlio Vargas).