Uberlândia soma 24.778 casos e 37 mortes por dengue em 2025, segundo dados do Painel de Vigilância das Arboviroses da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) atualizados no dia 13 de outubro. O número de óbitos neste ano já é quase o dobro do total registrado no ano passado, quando 19 pessoas morreram em decorrência da doença. Em relação às notificações, 2024 fechou com 27.148 casos confirmados.
O levantamento do estado revela que 55,7% dos pacientes que testaram positivo para dengue neste ano eram mulheres, ou seja, cerca de 13,8 mil. Os homens representam 44,3% dos casos (10,9 mil). Em relação à faixa etária, o maior número de registros se concentra no público entre 20 e 39 anos, com mais de 11 mil diagnósticos.
Entre os pacientes com confirmação da doença, apenas 10,46% apresentavam alguma comorbidade. A maioria, 89,54%, não tinha doenças pré-existentes.
Quanto aos óbitos, 56,7% das vítimas (21) eram do sexo feminino, enquanto 16 (43,2%) eram homens. A maior concentração de mortes ocorreu entre pessoas de 40 a 69 anos, faixa que reúne cerca de metade dos óbitos.
Mais de 64% das vítimas fatais (24) tinham comorbidades. As principais doenças pré-existentes relatadas foram hipertensão (19 casos) e diabetes (13 casos), seguidas por doenças renais (7).
Por fim, os dados mostram que, até o momento, 1.610 casos foram considerados graves, com uma taxa de mortalidade de 2,3%.
Segundo a médica infectologista, Débora Letícia, três fatores se somam para justificar o aumento no número de mortes. “Maior proporção de infecções com sinais de alarme em 2025, possível efeito de infecção secundária por sorotipo diferente em parte da população, o que aumenta a chance de formas graves e atrasos no reconhecimento e na hidratação adequada durante a fase crítica, especialmente nos dias de queda da febre, quando podem ocorrer extravasamento plasmático e choque”, explicou.
A especialista explicou ainda quais sintomas podem evidenciar um caso grave de dengue. “Os sinais de alerta são dor abdominal forte e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, sangramentos, queda brusca da febre acompanhada de mal-estar, urina diminuída, falta de ar ou sonolência excessiva. Se houver qualquer sinal de alerta pontuado acima, deve procurar um médico imediatamente”, complementou.
A médica reforçou que o cuidado com crianças e idosos deve ser redobrado pela fragilidade destes pacientes. “Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas devem procurar atendimento ainda mais cedo. Mesmo em casos aparentemente leves, se a febre durar mais de dois dias, é importante buscar avaliação médica”, alertou.
SOBRE A DENGUE
O Diário de Uberlândia conversou com João Carlos de Oliveira, professor da ESTES/UFU e pesquisador correlacionado à dengue e arboviroses, que explicou sobre as variações e mutações que a doença pode apresentar, a começar pelos diferentes tipos de dengue e seus riscos.
“Nós temos quatro tipos de vírus, Dengue 1, 2, 3 e 4, e uma boa parcela da população de Uberlândia ainda não foi imunizada por um determinado tipo de vírus. Aqui em Uberlândia, basicamente circula o vírus 1 e 2, mas tem também uma pequena circulação do 3, já o 4, não temos registros de casos por aqui há muito anos, mas quando circular, a tragédia será muito maior”, disse.
Outra mudança que tem sido identificada nos estudos a respeito da doença é a velocidade com que alguns ovos podem chocar, com um intervalo de tempo muito menor do que os sete dias que até então era padrão, o que contribui consideravelmente para a proliferação do vírus.
“A gente tem verificado que quando colocava um ovo no copinho, na sexta-feira a gente já encontrava larvas. Ou seja, o ovo está eclodindo mais rápido, isso, fruto de um conjunto de fatores, como temperatura e umidade”, relatou.
Questionado sobre quais inovações podem surgir para ajudar no combate ou até mesmo erradicação da doença, o professor falou sobre duas excelentes notícias.
“Uma novidade que considero interessante é a vacina do Butantan, que está prevista, pelo o que tenho acompanhado, para 2025, uma vacina que atenderá a todos os quatro vírus. A outra é uma pesquisa que está entrando no Brasil agora, um projeto em que se coleta os ovos do Aedes Aegypti e trabalha em laboratório para produzir mosquitos biologicamente modificados para que ao soltarem eles na cidade, estes cruzem com o mosquito original e faça com que os ovos da fêmea não sejam mais capazes de conter o vírus”, finalizou.