Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

TV tem história

Publicado em 22 junho 2008

Por Paula Ribeiro

Basta um mistério do tipo “quem matou” no final de uma novela das oito ou a última semana do Big Brother Brasil para se ter noção da dimensão do fenômeno da televisão na sociedade brasileira. Em última semana de exibição, a misteriosa autoria da morte fictícia tem se tornado assunto corriqueiro nas ruas desde as primeiras telenovelas da história, provando que a televisão é a principal fonte de entretenimento do brasileiro.

Tão presente nas casas quanto a geladeira, o aparelho de TV está entre os bens de 93% das famílias, segundo dados de 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tal índice de aceitação impulsionou a produção televisiva nacional a figurar entre as melhores do mundo.

Estes dados alarmantes despertaram a importância da TV para algumas instituições que recentemente decidiram eternizá-la.

O primeiro passo foi dado no início desta semana, quando a TV Cultura, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), anunciou a digitalização de 205 entrevistas do Roda Viva na íntegra no site www.rodaviva.fapesp.br. A previsão é que, até o próximo ano, todas as 1,2 mil entrevistas estejam disponíveis.

A Globo também deu seu passo rumo à disponibilização do seu acervo para a sociedade: lançou nesta semana o site Memória Globo, com 43 anos de história da emissora. Mas será no dia 30 deste mês que a sociedade terá realmente o que comemorar, com o lançamento oficial do Museu da Televisão Brasileira, na Casa das Retortas, localizada no Brás, em São Paulo, primeiro passo de um grandioso projeto.

Na data, artistas, jornalistas, diretores, roteiristas, publicitários, técnicos e empresários se reúnem para a exposição da síntese do projeto de ocupação, idealizado pela Fundação Padre Anchieta, Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Estado da Cultura e Pró-TV — Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira.

De acordo com Mauro Garcia, diretor de Projetos Especiais da Fundação Padre Anchieta, o imóvel destinado ao museu será dividido de maneira ainda não definida. “Pensamos em realizar a instalação do museu com peças da televisão em galerias, teremos ainda um centro de documentação e pesquisa (onde estarão disponíveis informações nem sempre reveladas na telinha) e um espaço para a realização de oficinas. Ainda estamos combinando com as emissoras como cada uma exibirá o seu acervo. Inclusive com os mantenedores das já extintas como Tupi, Manchete e Excelsior.

“No dia seguinte ao lançamento oficial do museu, nos reuniremos para montar o conselho curador, que definirá exatamente como será o museu e como cada emissora irá contribuir”, explicou.