Notícia

Jornal do Brasil

TV prejudica fala de bebê

Publicado em 13 janeiro 1996

Por ISABEL FERRER - El Pais
LEICESTER, INGLATERRA — Assistir televisão em excesso antes do primeiro ano de vida pode retardar o desenvolvimento lingüístico posterior das crianças. O barulho emitido pelo aparelho, aliado ao silêncio do adulto que acompanha a criança, acaba atrasando o momento em que ela começa a falar ou reconhecer palavras básicas. É o que afirma Sally Ward, a maior especialista britânica em problemas de linguagem, em um estudo de dez anos realizado em Manchester. Mas a pesquisadora avisa que, quando os pais desligam o aparelho de televisão e falam com seus filhos, estes se recuperam em pouco tempo. A partir dos nove meses, no entanto, os problemas de linguagem são mais difíceis de solucionar. Sally afirma que, nesta idade, que os bebês nunca deveriam ser expostos à tela de televisão. Nem mesmo a vídeos considerados próprios para sua idade. Segundo a pesquisa, quando a criança tem entre dois e três anos, uma hora por dia é mais do que suficiente. As crianças pesquisadas por Sally eram incapazes de reconhecer o próprio nome aos oito meses. Palavras simples, como "suco" também não eram identificadas. Aos três anos, falavam como uma criança de dois. Embora o trabalho de campo tenha se concentrado nos subúrbios de Manchester, Ward reconhece que as crianças de classe média alta apresentam os mesmos problemas. Segundo ela, as cores e o ritmo vertiginoso dos programas infantis impedem que a criança se interesse por seus próprios brinquedos. Além disso, quando as crianças passam muito tempo diante da TV, o adulto que toma conta delas não tem o hábito de conversar e estimular sua percepção. O resultado disto é que os bebês acabam ficando com um vocabulário reduzido. ANTICONCEPCIONAL CAUSA TROMBOSE O Comitê de Saúde Britânico estava certo ao alertar para os riscos das pílulas contraceptivas de terceira geração — com os hormônio gestodene e desogestrel. O canadense Walter Spitter publicou dois estudos que confirmam: mulheres que tomam estas pílulas têm mais chance de desenvolver trombose. ESCOCÊS PRODUZ VACINA VEGETAL Cientistas escoceses descobriram uma forma revolucionária para produzir vacinas a partir das plantas. "É barato e seguro", garante o professor Mike Wilson, do Instituto de Pesquisas Agrícolas da Escócia, em Dundee. AMERICANA PODE VERIFICAR MUTAÇÃO O exame genético que detecta mutações do gene BRCA-1 e a tendência maior para desenvolver câncer de mama e ovário já está disponível para as americanas. Antes, o exame só era feito a pedido de instituições de pesquisa.