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Turismo histórico de Campinas depende de políticas

Publicado em 21 agosto 2008

Por Maria Teresa Costa

As antigas sedes de fazenda, com suas senzalas, pátios de café, rodas de água, suas histórias, suas novenas, assombrações e lendas, formam um patrimônio impressionante capaz de alavancar o turismo rural regional, mas isso só acontecerá mediante a definição de políticas públicas capazes de zelar, de forma sustentável, pelo patrimônio rural. Sem isso, será impossível criar um turismo rural de alto nível, concluíram especialistas em história, turismo e educação em um seminário realizado ontem na Estação Cultura.

O seminário é parte do projeto Patrimônio Rural Paulista - Espaço privilegiado para o Ensino, a Pesquisa e o Turismo, que as universidades públicas, a organização Fazendas Históricas Paulistas, prefeituras, conselhos de preservação histórica e várias entidades estão trabalhando e que irá resultar em um inventário das fazendas históricas paulistas. Para a pesquisadora Mirza Pellicciota, do Departamento de Turismo da Prefeitura de Campinas, o esforço de vários campos de conhecimento pode alavancar uma política que zele pelo patrimônio rural.

A preservação dos imóveis é essencial, disse a diretora do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Olga von Simson, mas é preciso pensar na manutenção da chamada cultura imaterial, aquela cuja propagação ocorre por meio das pessoas. É o caso da culinária, dos causos, das novenas. “Sem essa cultura, as fazendas perdem sua alma”, afirmou.

Coordenado pelo professor Marcos Tognon, da Unicamp, o projeto foi aprovado em abril pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na área de políticas públicas. Foram definidas três regiões para o inventário: São Carlos e Ribeirão Preto, Vale do Paraíba e Campinas. Atualmente em 14, o número de fazendas chegará a 18, segundo Tognon.

Na primeira fase do trabalho, serão realizados a revisão bibliográfica sobre os temas, visita técnica a todas as fazendas e levantamento de documentos no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) para obter um inventário que será digitalizado. Também está em análise um software produzido pelo Instituto de Matemática e Ciência da Computação de São Carlos (chamado Memória Virtual) que será utilizado para formar um banco de dados com a memória virtual rural.

Em Campinas, serão inventariadas as fazendas Santa Maria, de Joaquim Egídio, Monte D’Este e Solar das Andorinhas, no Carlos Gomes, e Santa Úrsula, em Jaguariúna. A proposta do grupo de pesquisadores é também a de elaborar rotinas e metodologias de manutenção e conservação preventiva do patrimônio histórico rural, disponibilizar o acervo documental dos órgãos de preservação, instituir uma rede de colaboração e parceria permanente entre as instâncias de pesquisa e de gestão pública,

Se dedicam ao projeto docentes das universidades, pós-graduandos, estudantes de graduação e pesquisadores que trabalham com os temas histórica econômica do meio rural paulista, conservação do patrimônio artístico e documental.