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Turismo é aliado de pescadores

Publicado em 04 janeiro 2010

Agência Fapesp

A pesca artesanal aliada a outras atividades ligadas ao turismo faz com que a renda dos pescadores artesanais da Cachoeira das Emas, em Pirassununga, interior de São Paulo, seja melhor do que a de profissionais que trabalham em outras águas. Pelo menos essa foi a conclusão de Janice Peixer em parte de sua tese de doutorado. Atualmente ela é pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (Cepta), instituição especializada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Peixer constatou que o pescador de Cachoeira das Emas obtém, em média, US$ 239,64 por mês (cerca de R$ 424) com a coleta de peixes, porém sua renda familiar chega à média de US$ 575,52 mensais (cerca de R$ 1.018). "Isso ocorre porque os pescadores mantêm outras atividades comerciais lucrativas", apontou. Muitos deles, por exemplo, disponibilizam seus barcos para passeios turísticos e trabalham como guias nos fins de semana. Em comparação, os profissionais que pescam na região do alto São Francisco conseguem US$ 384,08 de renda mensal (cerca de R$ 680), e os que vivem da pesca do Lago Paranoá, em Brasília, faturam apenas US$ 156,48 (cerca de R$ 274).

Além disso, os turistas também são consumidores da pesca local. "É importante lembrar que não há atravessadores, eles vendem direto ao consumidor, o que aumenta também os seus lucros", ressalta a pesquisadora. O estudo separou os frequentadores do local em quatro categorias: pescadores profissionais, pescadores esportivos, turistas e excursionistas. Esses últimos, diferentemente dos turistas, passam o dia, mas não chegam a pernoitar.

Por outro lado, o trabalho de Peixer indica que o rio Mogi Guaçu também reflete a decadência da atividade pesqueira ao longo dos anos. A poluição e, principalmente, o desmatamento da vegetação ciliar, fez reduzir as populações de peixes do rio e, por consequência, o número de pescadores. "O total, que chegou a 300, hoje está reduzido a poucas dezenas, apesar de capturarem uma média de 20 quilos por dia cada um", lamenta Janice, salientando que se trata de uma produtividade acima da média brasileira.