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Jornal da Unesp online

Turismo, Administração e Teatro obtêm nota máxima no Enade

Publicado em 31 janeiro 2011

Por Cínthia Leone

Cursos de Rosana, Jaboticabal e São Paulo atingem excelência em avaliação

As graduações em Turismo, do Câmpus de Rosana, Administração, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Câmpus de Jaboticabal, e Arte-Teatro, do Instituto de Artes, Câmpus da Barra Funda, alcançaram o conceito máximo "5" no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Foi a primeira vez que esses cursos passaram por essa análise. A prova, cujo resultado foi divulgado este mês, foi realizada em 2009 por estudantes ingressantes e formandos. Alunos e coordenadores de curso responderam a questionários sobre a instituição e a carreira.

A ação integra o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior), principal indicador do Ministério da Educação (MEC) para determinar a qualidade do ensino superior no Brasil. O exame foi aplicado em mais de 6 mil cursos, em 22 áreas do conhecimento.

Para a pró-reitora de Graduação, Sheila Zambello de Pinho, a participação da Unesp é uma contribuição importante ao Sinaes. Por ser umas das maiores universidades do país, a instituição dá referência ao sistema. "O exame ajuda a reconhecer excelências e deficiências, sinalizando quais aspectos devem ser fortalecidos." Para isso, a Unesp compara os resultados do Enade com os de outros exames de que a instituição participa. Um deles é coordenado pela Comissão Permanente de Avaliação da Universidade, que contrata especialistas para uma análise externa que integra a avaliação institucional trienal. Outro indicador é o resultado anual do Guia do Estudante da Editora Abril.

Dos 1.663 cursos de administração analisados este ano, apenas 71 obtiveram nota "5", 14 deles do Estado de São Paulo. Em turismo, 5 cursos paulistas conseguiram a nota máxima. No Brasil foram 22, em um total de 316 graduações avaliadas. A formação em teatro oferecida pela Unesp foi a única a alcançar essa marca no Estado, juntamente com outras 4 no país, em 48 cursos verificados.

As graduações que obtiveram nota "4" ou "5" no Enade ficam dispensadas da avaliação do Conselho Estadual de Educação, que renova a autorização para o funcionamento dos cursos periodicamente. A preocupação com a nota, entretanto, não é o mais importante, segundo Guaracy Tadeu Rocha, professor do Instituto de Biociências, Câmpus de Botucatu, e membro da Comissão para Estudo de Avaliação do Ensino Superior (Ceaes). "Usamos esses exames como aliados dos conselhos de curso. Com eles sabemos, por exemplo, como os alunos estão aproveitando a infraestrutura da faculdade e em que áreas estão mais ou menos preparados."

A comissão também participa de discussões promovidas em outras instituições, como a USP e a Unicamp, sobre esse tipo de avaliação. A Unicamp anunciou adesão ao Enade no ano passado. Já a USP ainda não realiza a prova, mas, de acordo com informações do professor, tem promovido debates na comunidade acadêmica sobre a importância desse tipo de indicador.

Mudanças nas provas

Outra preocupação da comissão é apontar problemas quanto ao método de avaliação. Por meio de estudos realizados pelo grupo, a Unesp enviou ao MEC solicitações de aperfeiçoamento dos exames, muitas delas já atendidas. Especificidades de cada curso podem tornar as provas pouco relevantes ou desconectadas do programa pedagógico, como explica Rocha.

Um exemplo disso é o curso de Música oferecido pelo Instituto de Artes, Câmpus da Barra Funda, que recebeu conceito "4" agora, e "5" na avaliação anterior. A coordenadora do curso, professora Valerie Ann Albright, relata que os alunos se queixam da falta de relação entre o que eles aprendem e o conteúdo da prova. "Há perguntas sobre música popular brasileira, por exemplo, e os alunos não estudam isso, apenas acervos eruditos."

Para calcular a nota do Enade, é estabelecida uma fórmula que "mede", proporcionalmente, a diferença de conhecimento entre os alunos que ingressam e os que se formam em cada curso. Como na graduação oferecida pela Unesp o nível de exigência para a admissão é considerado um dos mais altos do país, a expectativa do exame sobre a capacidade dos formandos é grande demais. "O calouro daqui já é um músico. Nossa preocupação não é ensinar o instrumento, o canto ou a regência, mas tornar o estudante um líder para esse mercado de trabalho ou um futuro pesquisador da área", afirma Valerie.

Superando o isolamento

Para compensar a distância das regiões turísticas do Estado, o curso de Turismo da Unesp investiu em parcerias com a comunidade. Localizada na região do Pontal do Paranapanema, a graduação mantém projetos de extensão que desenvolvem o turismo em assentamentos rurais. A iniciação científica e a publicação de pesquisas são bastante incentivadas entre os graduandos.

O câmpus também tem um ônibus exclusivo para atividades acadêmicas, entre elas, duas viagens principais. Na primeira, os futuros turismólogos visitam Bonito (MS), áreas do Pantanal e Bolívia, refletindo sobre aspectos de sustentabilidade e ecologia. Na outra, o destino é o Nordeste brasileiro, onde os alunos praticam conceitos de economia e hotelaria e observam o funcionamento de resorts.

Segundo o professor Vagner Sérgio Custódio, vice-coordenador do curso, a infraestrutura é outro destaque da unidade. Há laboratórios de línguas com professores de inglês e espanhol e equipamentos multimídia. Um centro destinado ao estudo da museologia é mantido com verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Prática da profissão

No curso Arte-Teatro da Unesp, o futuro profissional é preparado para atuar em escolas de ensino fundamental e médio e na elaboração, produção e execução de projetos relacionados à educação não-formal e às artes. O estudante é estimulado a pesquisar, fazer criações teatrais e planejar articulações do teatro com o ensino.

Já a formação em Administração do Câmpus de Jaboticabal tem disciplinas que tratam especificamente da empresa rural e do ambiente de negócios no setor agrário brasileiro. Outro diferencial é a ênfase na iniciação científica e em atividades de extensão, como o Projeto Suporte, que dá apoio às organizações do terceiro setor na região.

O curso de Administração do Câmpus de Tupã não participou da prova por causa da incompatibilidade com o exame na distribuição da carga horária. A unidade deverá prestar o próximo Enade. O curso de Administração Pública do Câmpus de Araraquara obteve nota "4".

Boicotes

A exemplo do que ocorreu em outras edições do Enade, esta também teve boicotes totais ou parciais em diversas instituições, incluindo a Unesp. Uma das atribuições da Ceaes é estabelecer diálogo com os estudantes desses cursos e esclarecer sobre a importância de indicadores como esse.

"Todo tipo de avaliação tem falhas. Mesmo imperfeitas, essas análises dão pistas sobre a qualidade dos cursos, o que é de extrema importância para traçar metas de aprimoramento", afirma Rocha. Para ele, melhor do que entregar a prova em branco ou simplesmente não fazê-la é participar do debate sobre a adequação dos métodos de aplicação desses exames. "Queremos desestimular protestos que não oferecem propostas em contrapartida."