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Tumor cerebral raro é descrito pela primeira vez no Brasil

Publicado em 29 outubro 2015

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Pesquisadores do Hospital do Câncer de Barretos descreveram na revista científica PLoS One o perfil genético detalhado de um tipo raro de câncer cerebral conhecido como tumor glioneural formador de rosetas do IV ventrículo (RGNT, na sigla em inglês).

Segundo o coordenador do estudo, Rui Manuel Reis, cerca de 100 casos do tipo foram relatados na literatura científica. Este é o primeiro relato científico no Brasil.

"Com base nos relatos publicados, sabe-se que é um tumor indolente, com bom prognóstico e que surge em jovens adultos. Conhecia-se apenas alguns marcadores imuno-histoquímicos e mais nada. O objetivo do nosso estudo foi caracterizar esse tumor geneticamente para tentar identificar sua origem, as alterações cromossômicas e as mutações envolvidas", disse Reis.

De acordo com o pesquisador, somente em 2007 o tumor glioneural formador de rosetas do IV ventrículo passou a ser considerado como uma entidade patológica pelo critério da Organização Mundial de Saúde (OMS). Antes disso, cada relato de caso usava uma nomenclatura diferente. O nome agora considerado oficial faz referência ao fato de ser um tumor misto – que envolve tanto neurônios como células da glia – e também às estruturas formadas pelas células tumorais que lembram as pétalas de uma flor.

Enquanto na maioria dos casos relatados o tumor foi encontrado no IV ventrículo cerebral – cavidade localizada próximo à região cerebelar –, o tumor do paciente de 33 anos atendido em Barretos estava na medula espinhal. Somente outros dois eventos desse tipo haviam sido descritos anteriormente.

Uma amostra do tumor foi analisada por diferentes metodologias. Com uma técnica conhecida como microarray de hibridização genômica comparativa (CGH, na sigla em inglês), o grupo estudou todo o conjunto de cromossomos das células tumorais em busca de alterações.

"Existem cromossomos bastante alterados nesse tumor, em regiões que não são típicas de tumores cerebrais. Há, por exemplo, ganhos nos cromossomos 9 e no 16, ou seja, em vez de duas cópias, encontramos quatro. Também notamos perdas no número de cópias do cromossomo 1", contou Reis.

Ao comparar com o DNA presente em amostras de sangue do mesmo paciente, os pesquisadores descobriram que as alterações estão presentes apenas nas células tumorais, um indicativo de que surgiram após o nascimento.

O artigo científico completo pode ser lido (em inglês) aqui

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