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Troca de tecnologia favorece a redução de perdas

Publicado em 28 agosto 2010

Reduzir perdas é uma das principais formas de obter ganhos operacionais para qualquer empresa. Para uma companhia pública de abastecimento de água, isso também se traduz em preservação de manancial e postergação de pesados investimentos na captação de água.

Na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a reformulação do programa de redução de perdas possibilitou uma economia de água suficiente para abastecer uma cidade do porte de Santos.

De lá para cá, a média de perdas da companhias, que estava em 32% do que era captado caiu para 25%.

Até 2019, a Sabesp espera chegar aos patamares de perda europeus, entre 10% a 15%. Em alguns municípios de São Paulo, como Lins e Franca, esses índices já foram atingidos.

Para melhorar os resultados, a empresa mirou no modelo japonês, responsável por taxas de perdas inferiores a 10%.

"Em 2007 fizemos uma parceria com a Japan International Cooperation Agency (Jica) que fornece conhecimento técnico para reduzir perdas e possui linhas de empréstimo para programas de eficiência", diz Gesner de Oliveira, presidente da Sabesp.

A empresa captou R$ 2 bilhões com a Jica e traçou seu plano de investimentos de longo prazo na redução de perdas.

A troca de conhecimento técnico enfocou principalmente ferramentas de gestão para a renovação de equipamento e administração de pressão da rede, de modo a evitar vazamentos, e atualização cadastral, para combater as ligações irregulares da rede.

"Esse investimento tem um retorno muito elevado porque permite reduzir também o consumo de energia elétrica, de produtos químicos e mão de obra", diz Oliveira.

Além de trazer resultados na redução de perdas, o aprendizado gerou também um novo negócio para a Sabesp, o de repassar os conhecimentos a outras companhias de saneamento do Brasil.

"Registramos nosso conhecimento em perdas como uma tecnologia própria da Sabesp", diz Oliveira.

No ano passado, a companhia fechou um contrato para reduzir as perdas da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

"A ideia é reduzir o nivel de perda de Maceió, de forma a aumentar a arrecadação da Casal, que nos paga uma parcela proporcional ao aumento que tiverem de arrecadação", explica Oliveira.

Na capital alagoana, segundo a Sabesp, os índices de perda chegavam a 60%, e alguns bairros sofriam de intermitência no fornecimento de água.

"Com a redução de perdas conseguimos regularizar o fornecimento sem precisar recorrer a novos mananciais", afirma Oliveira.

A Sabesp planeja agora replicar a experiência para outras companhias com quem já possui parceria, como a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). "Acreditamos que há um potencial muito grande para reproduzir nossa experiência em outros estados."

Além das ferramentas de gestão, a Sabesp também procura desenvolver tecnologia e equipamento próprio para redução de perdas.

A companhia criou em maio seu departamento de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, responsável por administrar a linha de R$ 50 milhões voltada à melhoria de processos e desenvolvimento mantida em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A proposta de fortalecer a tecnologia nacional é discutida com os fornecedores da empresa."Acreditamos que esses investimentos vão trazer equipamentos cada vez melhores", diz Oliveira.