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Brasil Econômico

Troca de tecnologia favorece a redução de perdas

Publicado em 25 agosto 2010

Por Paulo Justus

Reduzir perdas é uma das principais formas de obter ganhos operacionais para qualquer empresa. Para uma companhia pública de abastecimento de água, isso também se traduz em preservação de manancial e postergação de pesados investimentos na captação de água. Na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a reformulação do programa de redução de perdas possibilitou uma economia de água suficiente para abastecer uma cidade do porte de Santos.

De lá para cá, amédia de perdas da companhias, que estava em 32% do que era captado caiu para 25%. Até 2019, a Sabesp espera chegar aos patamares de perda europeus, entre 10% a 15%. Em alguns municípios de São Paulo, como Lins e Franca, esses índices já foram atingidos.

Para melhorar os resultados, a empresa mirou no modelo japonês, responsável por taxas de perdas inferiores a 10%. Em 2007 fizemos uma parceria com a Japan International Cooperation

Agency (Jica) que fornece conhecimento técnico para reduzir perdas e possui linhas de empréstimo para programas de eficiência , diz Gesner de Oliveira, presidente da Sabesp.

A empresa captou R$ 2 bilhões com a Jica e traçou seu plano de investimentos de longo prazo na redução de perdas. A troca de conhecimento técnico enfocou principalmente ferramentas de gestão para a renovação de equipamento e administração de pressão da rede, de modo a evitar vazamentos, e atualização cadastral, para combater as ligações irregulares da rede. Esse investimento tem um retorno muito elevado porque permite reduzir também o consumo de energia elétrica, de produtos químicos e mão de obra , diz Oliveira.

Além de trazer resultados na redução de perdas, o aprendizado gerou também um novo negócio para a Sabesp, o de repassar os conhecimentos a outras companhias de saneamento do Brasil. Registramos nosso conhecimento em perdas como uma tecnologia própria da Sabesp , diz Oliveira.

No ano passado, a companhia fechou um contrato para reduzir as perdas da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). A ideia é reduzir o nível de perda de Maceió, de forma a aumentar a arrecadação da Casal, que nos paga uma parcela proporcional ao aumento que tiverem de arrecadação , explica Oliveira. Na capital alagoana, segundo a Sabesp, os índices de perda chegavam a 60%, e alguns bairros sofriam de intermitência no fornecimento de água. Com a redução de perdas conseguimos regularizar o fornecimento sem precisar recorrer a novos mananciais , afirma Oliveira.

A Sabesp planeja agora replicar a experiência para outras companhias com quem já possui parceria, como a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Acreditamos que há um potencialmuito grande para reproduzir nossa experiência emoutros estados. Além das ferramentas de gestão, a Sabesp também procura desenvolver tecnologia e equipamento próprio para redução de perdas. A companhia criou em maio seu departamento de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, responsável por administrar a linha de R$ 50 milhões voltada àmelhoria de processos e desenvolvimento mantida em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A proposta de fortalecer a tecnologia nacional é discutida comos fornecedores da empresa. Acreditamos que esses investimentos vão trazer equipamentos cada vez melhores , diz Oliveira.

Equipamentos ajudam a detectar vazamentos Filmadoras, microondas, microfones e lasers são algumas das tecnologias empregadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para identificar os vazamentos na tubulação que passa por baixo da terra. Em 2010, a companhia passou a usar dois novos equipamentos.

Um deles é o Spector 7, que envia microondas para o chão e retorna um feixe de laser para identificar o encanamento que passa por baixo da terra, ajudando a identificar ligações clandestinas na rede. Outra novidade é a smart ball, um pequeno detector que é introduzido na tubulação e que ajuda a identificar vazamentos rapidamente em adutoras ou encanamentos.

Esses equipamentos se soma à rede de geofones, microfones que auscultam o encanamento subterrâneo, correlacionadores (que relacionam diversos pontos de ausculta), hastes de escuta e microcâmeras já usados pela companhia em seu programa de redução de perdas.

Com isso, podemos ir direto ao ponto onde tem vazamento poupando trabalho , diz Gesner Oliveira, presidente da Sabesp. A companhia paulista investe, por ano, cerca de R$ 200 milhões em redução de perdas.