Notícia

Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Trio high-tech

Publicado em 01 dezembro 2009

"Se não há vento, reme". A frase, colada na porta da sede da Nanox, em São Carlos, interior de São Paulo, traduz a filosofia de três jovens químicos determinados a transformar conhecimento em negócio lucrativo. Há quatro anos, André Araújo, Gustavo Simões e Daniel Minozzi, todos na faixa dos 30 anos, começaram a manipular materiais um bilionésimo de vezes menores que o metro e abriram a primeira empresa de nanotecnologia do Brasil. Desenvolveram uma solução antimicrobiana invisível a olho nu, capaz de ser aplicada sobre metais, vidro, cerâmica, madeira, fibras e plástico. Para transformar pesquisa em negócio rentável, os sócios bateram à porta de empresas reconhecidas como inovadoras. A fabricante de secadores Taiff foi a primeira a acreditar nos empreendedores e a lançar um secador com tratamento bactericida no mundo. Hoje, a Nanox atua em três frentes: NanoxClean, solução antimicrobiana; N-Oil, especializada em revestimentos de superfícies metálicas no setor de petróleo e gás; e Saccharis, voltada ao monitoramento e controle do processo de produção de etanol.

Um dos segredos do bom desempenho da empresa, segundo os sócios, foi não apoiar o negócio apenas em uma base tecnológica única, mas também em saber antecipar as necessidades do mercado. "Conseguimos customizar uma tecnologia do futuro para a demanda de cada cliente. Ninguém faz isso", afirma Simões. Os três não escondem, porém, que no início gastaram mais tempo e dinheiro do que deveriam tentando solucionar equações. Com a experiência, aprenderam a só investir em projetos com viabilidade assegurada.

O pioneirismo da Nanox chamou primeiro a atenção do meio acadêmico e de entidades de fomento à inovação - a Fapesp e o CNPq liberaram R$ 2,1 milhões para o aperfeiçoamento da tecnologia premiada pela Finep — e logo despertou, também, o interesse do fundo Novarum. É por pensar de forma global que a Nanox submete suas estratégias à apreciação de dois conselhos, um técnico e um administrativo, é avaliada pelas maiores auditorias do país e tem nível 2 de governança corporativa. "E esse nível de exigência que nos faz uma empresa trans-disciplinar, capaz de cruzar competências de gestão com inovação tecnológica", diz Simões. "Perco a paciência quando nos chamam de cientistas. Somos empreendedores."

Na visão dos jovens, ser empreendedor significa ser arrogante para propor suas ideias, ousado para fazer acontecer e humilde para reconhecer as próprias deficiências e supri-las, cercándose de gente competente. E eles procuraram se cercar. Os 25 funcionários da Nanox têm curso superior e-65% são mestres ou doutores. "Esses meninos são arrojados e o tempo todo oferecem produtos altamente tecnológicos, o que ajuda a empresa-mãe a gerar outras sementes", afirma Elson Longo, pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica da Ufscar (LIEC). Uma prova de que a Nanox está no caminho certo é a sua velocidade de crescimento. O faturamento deste ano promete ser 200% maior que o de 2008 e a expectativa é de que aumente cinco vezes até o fim de 2010.