Achados de uma nova revisão sistemática e metanálise indicam que exercícios de resistência tiveram influência positiva na saúde mental de idosos com e sem transtornos mentais.
Segundo os autores, os estudos que até agora tinham avaliado o efeito do treinamento de resistência na saúde mental apresentaram resultados controversos e indicavam benefícios principalmente na redução de sintomas depressivos e de ansiedade. Os achados conflitantes — causados pela variação de protocolos de exercícios, com atividades de intensidade e frequência diferentes — motivaram os pesquisadores a conduzirem uma revisão sistemática sobre o tema.
O estudo em tela foi liderado pelo pesquisador brasileiro Dr. Paolo Cunha, afiliado ao Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e à Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo foi publicado on-line na edição de março de 2024 do periódico Psychiatry Research
O estudo
Após ampla busca na literatura, 27 estudos foram incluídos na revisão sistemática e 21 na metanálise. Para inclusão, os estudos deviam ser do tipo randomizado e controlado, conduzidos com participantes de idade ≥ 60 anos, sem doenças ou restrições à prática de exercícios. As pesquisas também deveriam ter pelo menos um grupo com treinamento de resistência isolado, sem outros tipos de exercício ou intervenção, tendo como controle um grupo inativo. O desfecho deveria ser a apresentação de sintomas depressivos e/ou de ansiedade, avaliados por meio de ferramentas validadas.
Os exercícios avaliados deveriam envolver contração muscular para fortalecimento, aumento da resistência anaeróbica e aumento da musculatura esquelética.
Ao todo, os estudos reuniram 968 indivíduos, dos quais 538 estavam em grupos de treinamento de resistência e 430 no grupo controle. A duração das intervenções variou de oito semanas a 12 meses, enquanto o número de sessões semanais variou de uma a três. Do total de estudos incluídos, 11 avaliaram idosos sem doenças psiquiátricas, e 10 avaliaram idosos com algum transtorno mental, majoritariamente o transtorno depressivo.
Os achados
Os resultados da metanálise mostraram que os exercícios de resistência ajudaram a combater os sintomas depressivos, avaliados em 18 estudos, com um efeito médio de −0,94 (intervalo de confiança [IC] de 95%, de −1,45 a −0,43; p 6 séries.
Conclusões
Os autores concluíram que o treinamento de resistência é uma estratégia não farmacológica eficaz para reduzir os sintomas depressivos e de ansiedade em idosos, melhorando os resultados de saúde mental em indivíduos com e sem transtornos mentais. No entanto, as características das atividades praticadas influenciaram os efeitos na saúde mental, e essa informação é importante para profissionais que recomendarão esses exercícios para seus pacientes, facilitando uma prescrição adequada para cada caso.
A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os autores informaram não ter conflitos de interesses.