Notícia

Voz da Bahia

Treinamento aeróbico e de resistência muscular reverte danos no coração

Publicado em 19 dezembro 2015

Cerca de 150 voluntários passaram por um programa de treinamento no Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo (USP) nos últimos anos, destinado a avaliar o efeito do exercício físico sobre a saúde das pessoas com insuficiência cardíaca. Coordenado pelo fisiologista Carlos Eduardo Negrão, o programa vem demonstrando que, aliada ao uso de medicamentos, a prática regular de atividade física é fundamental para restaurar a saúde de quem está com o coração doente. Segundo informações da revista Pesquisa Fapesp, os pesquisadores envolvidos no estudo avaliaram a capacidade cardiorrespiratória dos indivíduos e preparam um plano progressivo de treino até que fosse alcançado o nível desejado de exercício físico. A meta era realizar 40 minutos de exercício aeróbico e outros 20 de exercícios de resistência muscular e flexibilidade três vezes na semana. Com duração de quatro meses, o treinamento tem tempo suficiente para começar a resgatar a qualidade de vida e a capacidade de desempenhar muitas das atividades diárias, como tomar banho sozinho ou fazer uma caminhada até o supermercado, perdidas com a insuficiência cardíaca. No Brasil, onde surgem cerca de 200 mil novos casos de insuficiência cardíaca por ano, 30% dos casos são consequência do infarto, 20% da hipertensão arterial não tratada e outros 11% da doença de Chagas. Porém, modificações nos níveis bioquímico, celular e tecidual induzidas pelo exercício reequilibram o funcionamento dos sistemas muscular, vascular e endócrino. As evidências acumuladas em 20 anos levaram o exercício físico a ser incorporado às estratégias de tratamento da insuficiência cardíaca recomendadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pelo Colégio Americano de Cardiologia e pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte. Apesar das evidências favoráveis, o exercício físico feito com regularidade ainda está longe de ser parte da vida de quem tem insuficiência cardíaca, segundo Dirceu de Almeida, da SBC. Na opinião dele, muitos médicos ainda desconhecem os benefícios do exercício e mandam o paciente repousar; faltam centros de reabilitação cardiovascular nos hospitais brasileiros; e os pacientes não têm noção da gravidade da doença.

(BN)