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Tratamento para apneia do sono reduz pressão arterial

Publicado em 24 setembro 2011

Ao estudar as causas da hipertensão resistente - aquela que não cede com o uso de medicamentos -, um grupo de pesquisadores constatou que a condição mais frequentemente associada ao problema é a apneia do sono - distúrbio caracterizado pela suspensão da respiração enquanto o paciente dorme.

O estudo foi realizado por cientistas do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP),em parceria com pesquisadores do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Em outro estudo ainda inédito, o grupo do InCor também demonstrou que o uso do equipamento conhecido como CPAP - sigla em inglês para "pressão positiva contínua nas vias aéreas" -, tratamento padrão para a apneia do sono, pode ser eficiente como terapia auxiliar, no caso dos pacientes com a patologia.

Um estudo anterior, publicado em março na Hypertension, havia demonstrado que o CPAP é eficiente também como prevenção, no caso de pacientes pré-hipertensos. Os dois trabalhos sobre hipertensão resistente foram realizados no âmbito de um projeto que teve apoio da Fapesp na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular e foi coordenado por Geraldo Lorenzi Filho, professor do InCor.

"Os pacientes com hipertensão resistente, por definição, são aqueles que não conseguem controlar a pressão arterial mesmo tomando três fármacos anti-hipertensivos em dose máxima, sendo um deles diurético. Trata-se de um problema muito grave, por isso decidimos realizar um estudo sobre as causas desse tipo severo de hipertensão", afirma Lorenzi.

Os pesquisadores monitoraram mais de uma centena de pacientes de hipertensão resistente, a fim de investigar a causa do problema. A conclusão foi que a apneia era a condição mais frequentemente associada a ele. Foi identificada uma frequência de 64% de casos de apneia do sono na população de hipertensos resistentes. A apneia foi, de longe, a principal causa do problema.

Uma doença mascarada De acordo com Luciano Drager - também professor do InCor e um dos responsáveis pela série de estudos -, além dos trabalhos relacionados aos pacientes refratários ao tratamento, o grupo realizou um estudo com foco no caso inverso: os pacientes com pré-hipertensão ou hipertensão mascarada.

"Já sabíamos que a apneia do sono é um fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão e que o tratamento com CPAP promove uma redução da pressão. Começamos, então, a usar o CPAP para ver se conseguíamos impedir o surgimento do problema", explicou Drager.

No início do estudo, 94% dos pacientes com apneia apresentaram pré-hipertensão. Depois do tratamento com o CPAP apenas 55% continuavam com o problema. Quanto à hipertensão mascarada, 39% apresentaram o problema no início do estudo. Após o tratamento com CPAP, a frequência foi reduzida para 5%. O grupo que não recebeu o CPAP não apresentou mudanças significativas.

O paciente com apneia dorme mal, ronca, tem prejuízos na memória e sonolência diurna, por isso precisa do tratamento. Mas a principal mensagem do estudo, de acordo com o cientista, é que, além da melhora de qualidade de vida ocasionada pela redução dos sintomas da apneia, o tratamento com CPAP pode, em tese, prevenir a ocorrência de hipertensão.

Para os estudiosos, investir no tratamento da apneia com o uso do CPAP pode ser uma alternativa para reduzir a hipertensão da população, com um impacto econômico positivo muito relevante nos recursos públicos.

CADERNO VIDA Zero Hora (Porto Alegre/RS)