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Tratamento inovador contra câncer de próstata desenvolvido no Instituto Weizmann evita impotência

Publicado em 01 abril 2019

O professor Avigdor Scherz, do Instituto Weizmann de Ciências (WIS), um dos responsáveis por desenvolver uma inovadora terapia sem efeitos colaterais para o câncer de próstata esteve no Brasil e fez uma palestra na Congregação Israelita Paulista (CIP) no dia 25 de março. Com o tema “Uma luz para salvar a vida”, deu detalhes sobre como foi o desenvolvimento, juntamente com o falecido Prof. Yoram Salomon, da terapia já disponível em Israel, na Europa, no México e em tramite de aprovação pela Anvisa.

A Terapia Fotodinâmica Vascular Dirigida (VTP) com o TOOKAD® demostrou curar câncer de próstata em estádios iniciais em um alto porcentagem dos pacientes, mas já está sendo pesquisada para outros tipos de câncer. O novo tratamento destrói de forma restrita o tecido cancerígeno sem prejudicar o resto do órgão saudável, portanto não provoca efeitos colaterais habituais de outras terapias, como por exemplo a impotência. O procedimento é ambulatorial, tem duração aproximada de 90 minutos.

“Combinamos modelos da natureza com tecnologia. Nos organismos vegetais e animais há armas naturais, universais, que servem para destruir os órgãos que não funcionam muito bem. O primeiro passo foi enxergar o tumor maligno como um órgão que funciona errado, e tentar replicar o processo. Finalmente desenvolvemos este sistema que inclue uma droga fotossensibilizante, o Tookad, que se introduz na veia e chega pelo sangue a próstata. Ali, ao ser iluminado por médio de uma fibras ótica, se ativa no local desejado e gera uma reação em cadeia que acaba destruindo o tumor”, explicou o professor Scherz durante sua palestra.

O Instituto Weizmann de Ciências faz unicamente pesquisa básica. Os ensaios clínicos com participação da companhia Steba Biotech e o Hospital Memorial Sloan Kettering Cancer Center são realizados pela transferência de tecnologia, com acordo de royalties, através do braço de transferência de tecnologia do Instituto, a Yeda Research & Development.

O Prof. Scherz, destacou a importância que teve para o sucesso do projeto a diversidade e o ambiente de colaboração entre os pesquisadores envolvidos. “Da primeira ideia guiada pela curiosidade, até o medicamento foram mais de duas décadas de pesquisas”, destacou “mas próximas indicações da terapia vão demorar muito menos, sete anos no total.”

“Esta pesquisa é disruptiva na área e serve de amostra do grande impacto da ciência produzida no Weizmann, conjugando a excelência dos cientistas e a multidisciplinaridade da pesquisa”, destacou Mario Fleck, presidente dos Amigos do Weizmann do Brasil.

O Prof. Scherz recebeu numerosos prêmios e é codetentor de 15 patentes que aportaram a base para transferência de tecnologia e estabelecimento de várias Start-ups. Ele estudou na Universidade Hebraica de Jerusalém BSc, MSc e PhD em física, química e biofísica respectivamente. Fez seu pós-doutorado nos Estados Unidos (University of Illinois in Champaign/Urbana e University of Washington em Seattle). Está no Instituto Weizmann de Ciências desde o ano 1983. É membro do Departamento de Botânica e Ciências Ambientais e veio ao Brasil para participar do evento “São Paulo School of Advanced Science on Modern Topics in Biophotonics”, realizado pela USP com apoio da Fapesp, em São Carlos.