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Jornal do Commercio (RJ) online

Tratamento de doença cardíaca custa caro no País

Publicado em 10 agosto 2005

O custo do manejo anual da doença arterial coronariana no Brasil é bastante elevado se comparado com o de outros países. Estudo publicado na edição de julho da revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia mostra que os males crônicos do coração, por paciente e por ano, chegam a custar tanto quanto nos Estados Unidos, por exemplo.
Segundo o artigo, assinado por Rodrigo Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e colaboradores, os dois principais determinantes do alto custo são as internações com instabilização da doença e o manejo farmacológico crônico. Os custos médios anuais, por paciente acompanhado durante a pesquisa, são de R$ 2.773 para o Sistema Único de Saúde (SUS) e de R$ 6.788 para o sistema privado.
Nos Estados Unidos, conforme dados também apresentados na pesquisa, o valor anual gasto com a doença arterial coronariana, por paciente, é de US$ 3 mil. Feito os ajustes para as diferenças monetárias e de poder aquisitivo, como prevê a Organização Mundial de Saúde, os custos americanos se equivalem aos do SUS.
Comparação
"De modo surpreendente, lá os valores são inferiores aos pagos pelo setor privado no Brasil", escrevem os pesquisadores. Comparações feitas com o Reino Unido, outro país desenvolvido, também mostraram que no Brasil o custo é maior, por exemplo, para tratamento farmacológico de casos com angina ou pós-evento agudo.
Nos cálculos feitos a partir do acompanhamento médico de 147 pacientes, que em média mereceram atenção dos serviços de saúde durante dois anos, os gastos com medicamentos (em média R$ 1.154) representaram, para o SUS e Setor Privado, respectivamente 41% e 17% dos custos totais. Apenas em termos ambulatoriais, as taxas sobem para 80% e 55%.
Segundo os pesquisadores, o reconhecimento dessas diferenças internacionais e do alto custo que os problemas cardíacos têm no Brasil reforçam a necessidade de que medidas mais efetivas para a correção dessas distorções sejam tomadas. Entre as soluções, explicam os autores da pesquisa, formas efetivas de subsídio devem ser pensadas e, também, maneiras para se reduzir o preço dos fármacos.
(Agencia Fapesp)