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Tratamento contra a malária ganha novo medicamento desenvolvido por brasileiros

Publicado em 16 julho 2018

Presença constante na rotina de muitos brasileiros, especialmente daqueles que vivem na região Amazônica, os protozoários causadores da malária sofreram evoluções ao longo dos anos. Atualmente, eles não são combatidos com a mesma eficácia com os medicamentos de antes, como os combinados à base de artemisinina, oferecida em comprimidos e de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Recentemente, porém, pesquisadores brasileiros anunciaram o surgimento de uma nova molécula sintetizada capaz de dar origem a um medicamento que combateria justamente as cepas mais resistentes do causador da malária. O medicamento ainda não foi produzido, mas os resultados de estudos envolvendo essa nova molécula, derivada da classe das marinoquinolinas, têm se mostrado positivos.

Conforme informações da Agência Brasil, a molécula mostrou-se capaz de matar o parasita, sem afetar as demais células do hospedeiro – no caso, a fêmea do mosquito Anopheles. A molécula foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos, financiado pela Fapesp. O CNPq e o Instituto Serrapilheira também financiam a pesquisa.

Por enquanto, os estudos com a molécula atuaram em laboratório, testando em camundongos infectados com a malária. Ainda levarão anos até que a molécula seja transformada em medicamento e possa ser testado em humanos e produzida em larga escala.

Malária: proteção e sintomas

Embora não exista nenhuma vacina que proteja contra a malária, há outras formas de prevenção importantes e que devem ser reforçadas – especialmente entre as pessoas que forem visitar as regiões onde a doença é mais frequente.

O primeiro passo é fazer uso constante de repelentes, visto que a malária é transmitida através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, por sua vez infectada pelo protozoário do gênero Plasmodium. Esses mosquitos tendem a picar mais entre o anoitecer e o amanhecer – portanto o cuidado com a proteção deve ser reforçada nesses horários.

É indicado ainda o uso de mosquiteiros, roupas que protejam braços e pernas, além de telas em portas e janelas, principalmente à noite. Fique atento se surgirem os seguintes sintomas: febre alta, calafrios, tremores, sudorese intensa e dor de cabeça. Há ainda, segundo dados do Ministério da Saúde, relatos de pacientes que, antes de apresentarem os sintomas acima, também manifestam náuseas, vômito, cansaço e falta de apetite.

Se a pessoa sentir prostração, alteração da consciência, dispneia ou hiperventilação, convulsões, hipotensão arterial ou choque, ou hemorragias – leve-a diretamente ao posto de saúde mais próximo. Mesmo um desses sinais pode indicar uma malária mais grave. Malária: mitos e verdades

A malária não é transmitida de uma pessoa à outra. É preciso o contato com o mosquito, que faz a transmissão do protozoário parasita ao organismo. Depois de entrarem na corrente sanguínea da pessoa, os parasitas seguem até o fígado, onde se multiplicam e se alojam nas células vermelhas.

Delas, eles se multiplicam novamente e rompem as células, liberando novos parasitas no sangue – aí, então, a pessoa passa a manifestar os sintomas da doença, conforme informações da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras.

Em todo o mundo, cerca de três bilhões de pessoas estão em risco de infecção da malária, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nas Américas, o Brasil é o país que contribui com metade dos casos da doença.

Não existe vacina contra a malária. Segundo o Ministério da Saúde, houve estudos de substâncias que poderiam ser capazes de gerar imunidade, mas os resultados não foram considerados satisfatórios para o desenvolvimento de uma vacina.

Existe cura para a malária. Uma vez confirmada a doença, através de um teste de tira reagente ou pela observação dos parasitas no microscópio com uma amostra de sangue, a pessoa passa a receber o tratamento.

A terapia mais indicada é a combinada à base de artemisinina, oferecida em comprimidos e de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas varia conforme a espécie do protozoário, idade do paciente, entre outros. Apenas casos graves são hospitalizados.

Se feita de forma correta, o tratamento garante a cura da malária.

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