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Transplante de células-tronco é eficaz no tratamento da esclerose sistêmica

Publicado em 08 setembro 2016

Estudo realizado no Centro de Terapia Celular comprova eficiência do transplante autólogo de células-tronco no tratamento da doença autoimune

 

Pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e Universidade Paris Diderot, de Sorbonne Paris Cité, França, comprova benefícios do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas (realizado com células do sangue do próprio doente) no tratamento da esclerose sistêmica.

 

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune reumática crônica do tecido conjuntivo (um dos tipos de tecidos encontrados no corpo humano) e “caracterizada por lesões microvasculares associadas a diferentes graus de fibrose da pele e dos órgãos internos”, como explica o pesquisador Lucas Coelho Marlière Arruda, da FMRP.

 

As causas permanecem desconhecidas, por isso os tratamentos disponíveis possuem eficácia limitada no controle da progressão da doença. Os pacientes sofrem com problemas de falta de ar, dores pelo corpo, manchas e dificuldade de locomoção. Muitos são obrigados a deixar a vida profissional e até o convívio familiar.

 

Como as opções de tratamento até o momento utilizadas não funcionam muito bem, “o transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas surge como uma alternativa terapêutica promissora, impedindo a progressão da doença e devolvendo qualidade de vida”, destaca Arruda.

 

Na terapia, os pacientes se submetem a altas doses de quimioterapia. O objetivo é destruir por completo o sistema imunológico doente e, em seguida, administrar células-tronco do próprio paciente para “resetar” o sistema imune e impedir a progressão da doença. “Funciona como o ‘reset’ de um computador defeituoso, para que ele volte a funcionar bem novamente”, simplifica o cientista.

 

Pós-transplante

 

Os pesquisadores franceses e do Centro de Terapia Celular (CTC) da FMRP — um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fapesp — acompanharam 31 pacientes pós-transplantados durante três anos para descrição completa das mudanças ocorridas. Queriam avaliar como a reconstituição do novo sistema imunológico, após o “reset”, está relacionada com a melhora clínica dos pacientes.

 

Os resultados apontaram que o timo e a medula óssea, órgãos responsáveis pela manutenção das células do sangue e do sistema imune, produzem muitas células reguladoras após a terapia com as células-tronco. Também notaram a melhora da fibrose da pele e dos órgãos internos, levando ao controle da doença por gerar um sistema imune mais saudável.

 

A pesquisa ajuda a esclarecer os mecanismos imunológicos de ação e os benefícios do transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas no tratamento da esclerose sistêmica, o que é necessário para melhoria do protocolo clínico e a consolidação desta terapia como tratamento da doença.

 

Inédito, o estudo Linfócitos B e T reguladores recém-gerados após transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas associam-se a melhora da fibrose cutânea em pacientes com esclerose sistêmica, conquistou o primeiro lugar no concurso de temas livres do XXIII Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado este ano em Brasília, entre os dias 24 e 27 de agosto.

 

Eduardo Loria Vidal/CTC

 

Mais informações: (16) 2101-9350

 

Jornal da USP