Notícia

Diário de S.Paulo

Transplante de células é chance de cura para o diabetes tipo 1

Publicado em 03 dezembro 2003

Por Luciana Sobral
Depois de quase um ano em tratamento, a primeira paciente brasileira portadora do diabetes tipo 1 que se submeteu ao transplante de células pancreáticas - a baiana Telma Mércia do Rosário Almeida, de 46 anos - está praticamente curada. O resultado dos testes, que estão sendo feitos em cerca de 400 pessoas em todo o mundo, foi apresentado no último final de semana, durante o 14º Congresso Brasileiro de Diabetes. O grupo de especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital Israelita Albert Einstein conseguiu reverter à doença, caracterizada pela incapacidade de o organismo produzir insulina - hormônio que absorve a glicose do sangue. "Antes, a paciente precisava tomar 32 unidades de insulina. Agora, esse número não passa de 9", explica o médico Freddy Eliaschewitz, coordenador da pesquisa. O trabalho, que será publicado nos próximos meses na revista científica americana Transplantation Proceedings, aponta para uma nova esperança de cura do diabetes tipo 1 avançado, que atinge um milhão de brasileiros. "Como o pâncreas desse diabético não é capaz de fabricar o hormônio, retiramos de um doador morto as chamadas ilhotas pancreáticas, onde estão as células produtoras de insulina, e as injetamos no paciente (veja quadro)", explica Eliaschewitz. A técnica criada por médicos canadenses também chamou a atenção do Ministério da Saúde, que convidou os pesquisadores para conversar. "Precisamos de mais recursos financeiros para continuar os estudos. Mas ainda não tive resposta do Governo", conta Eliaschewitz, que mantém o trabalho com verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com a endocrinologista Denise Reis Franco, que acompanha Telma, a paciente está bem e não vê a hora de se livrar das injeções diárias de insulina. "É importante lembrar que esses pacientes precisam tomar remédios imunossupressores para evitar a rejeição", diz a médica. No Brasil, há nove pacientes esperando para entrar no protocolo de estudos. "Acreditamos que o FDA (Food and Drug Administration) deve aprovar o tratamento no próximo ano", completa. OPÇÃO Na USP de Ribeirão Preto, a equipe do professor Júlio César Voltarelli, vai iniciar, ainda neste ano, testes com células-tronco também para o tratamento do Diabetes tipo 1. "Diferentemente das ilhotas, que estão sendo testadas em casos mais sérios, vamos usar as células-tronco em pacientes com a doença inicial", afirma. A idéia é incluir 12 pacientes no estudo, que devem ter no máximo 35 anos.