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Transplantar florestas é possível, aponta estudo

Publicado em 22 julho 2013

Uma boa notícia para o reflorestamento. Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Esalq/USP descobriram que é possível transplantar plantas como ervas, palmeiras, trepadeiras, bromélias e orquídeas de uma área a ser desmatada para outras. E mais: que apenas 1 hectare de floresta rende uma quantidade de mudas suficiente - de 80 a 190 mil - para o replantio de mais de 40 hectares.

A estimativa está no estudo Transferência de plântulas, semeadura direta e plantio de espécies de sub-bosque nativas para o enriquecimento de áreas degradadas em restauração, coordenado por Sergius Gandolfi e que conta com apoio da Fapesp, a agência de fomento à pesquisa do Estado de S. Paulo. De acordo com os cálculos do pesquisador e sua equipe, mudas pequenas de árvores e arbustos e sementes que ficam no solo representam 50% da diversidade biológica de uma mata e fornecendo material para complementar o plantio da floresta.

Os pesquisadores da Esalq sugerem três técnicas para reaproveitar sementes, mudas ou epífitas de uma mata a ser cortada: a primeira é o reaproveitamento de uma camada de 30 cm do solo superficial (top soil), que contém esses materiais; a segunda seria a retirada de mudas, seu plantio em um viveiro e posterior replantio na área a ser reflorestada; e a terceira é o transplante de epífitas, como orquídeas, bromélias, cactos e samambaias, no início da estação chuvosa, em árvores da nova floresta.

Gandolfi sugere, em entrevista à revista Pesquisa , da Fapesp, que os órgãos reguladores incentivem o uso de materiais coletados de desmatamentos ilegais em doações para replantio em reflorestamentos. Além disso, a retirada de mudas de plantas nativas que crescem espontaneamente em eucaliptais e são destruídas no corte do eucalipto, a cada seis ou sete anos, poderia ser estimulada, podendo ser feita por pequenos agricultores, cooperativas ou viveiristas, para posterior replantio.