Notícia

Agência C&T (MCTI)

Transformação esbarra em falta de recurso e burocracia

Publicado em 25 maio 2008

Por Mariana Iwakura, enviada especial a Belo Horizonte

A distância entre não inovar e inovar é preenchida por mais do que boas idéias. Nela, há problemas sistêmicos, relacionados à falta de recursos e às dificuldades para acessá-los.

Segundo dados levantados pelo comitê Inovação das PMEs (pequenas e médias empresas) da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras), 42% das companhias não inovaram nos últimos três anos e só 10% inovam "fortemente". Essas conclusões foram apresentadas durante a 8ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, realizada em Belo Horizonte na última semana.

O comitê consultou 294 empresas, sendo 126 de pequeno porte, entre 2007 e 2008.

Segundo os empresários entrevistados, os maiores freios para a inovação são falta de financiamento e recursos (citada por 68% das firmas), burocracia (44%) e desconhecimento dos incentivos (38%).

Uma conclusão do levantamento é que o número de inovadores é pequeno porque eles não têm recursos ou habilidades suficientes, além de terem desestímulos -como os custos-para estabelecer uma estratégia de inovação.

De acordo com Martín Izarra, diretor da Anpei, sócio da indústria Brapenta e membro do comitê, boa parte do problema está no despreparo do empresário para receber incentivo.

"Ele não tem gestão administrativa ou tecnológica na empresa", aponta Izarra. Ele acrescenta que aqueles que obtêm sucesso têm boa formação, são articuladores e capazes de traçar estratégias.

Suporte

Para Glauco Arbix, coordenador-geral do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo), o Brasil tem um sistema "muito incipiente" de suporte às pequenas empresas.

Arbix apresentou na conferência o estudo "Estratégias de Inovação em Sete Países", realizado a partir de visitas feitas em 2007 a Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Finlândia, Irlanda e Japão. Ele ressalta que é preciso um trabalho maciço para um "choque de gestão" na pequena empresa -cuja abertura, diz Arbix, dinamiza a economia. "Nos países desenvolvidos, há agências que ajudam empresas a localizar gargalos, saber de que precisam para crescer", aponta. "As pequenas empresas do Brasil não têm controle de suas contas. Precisamos de capacitação para o cotidiano."

A jornalista viajou a convite da Anpei

Fundações auxiliam pequenos

Recursos do governo e investimentos de capital de risco ajudaram as pequenas empresas apresentadas como casos de sucesso na Conferência Anpei.

A Exsto, que faz produtos para automação, acessórios automotivos e equipamentos didáticos em Santa Rita do Sapucaí (MG), recebeu dinheiro da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e contratou bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Já a Nanox, que desenvolve soluções em nanotecnologia em São Carlos (SP), beneficiou-se de recursos do CNPq, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Finep. Ela recebeu ainda um investimento de capital semente do fundo Novarum.