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Tráfego na Internet passa às mãos da iniciativa privada

Publicado em 04 abril 2002

Um acordo que deverá beneficiar a comunidade científica brasileira e os usuários de Internet em geral foi firmado entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a empresa norte-americana Terremark Latin America (Brasil). Com isso, a companhia começa a operar, manter e comercializar o Ponto de Troca de Tráfego (PTT), até então gerenciado pela Rede ANSP (Academic Network at São Paulo). O PTT é um ponto neutro de conexão na Internet onde os provedores de acesso e concessionárias de telecomunicações, como UOL, IG, Terra, AT&T LA, Telefônica e Diveo, trocam diretamente tráfego de clientes comuns, sem a intermediação da operadora Embratel. A Rede ANSP funciona no terceiro andar da Fapesp, e é hoje um dos principais pontos de conexão na internet no Brasil com o exterior, além de responsável pela interligação das redes acadêmicas universitárias, institutos e centros de pesquisas paulistas. NEGÓCIOS Segundo Jairo Klepacz, chefe executivo da Terremark Latin America, a empresa espera implantar dentro de um ano um grande terminal de prestação de serviços, denominado NAP (Network Access Point), para provedores, concessionárias de telecomunicações e grandes clientes que, entre suas funcionalidades, inclui um PTT semelhante ao da Rede ANSP. De acordo com Brian Goodkind, vice-presidente executivo da Terremark Worlwide, a Terremark pretende investir cerca de US$ 45 milhões, num período de dois anos, para implantar um NAP no Brasil. Na primeira fase, o NAP contará com investimentos de US$ 15 milhões, que incluem desde infra-estrutura de cabos de fibras ópticas até a construção de um prédio com 15 mil metros de piso, que abrigará equipamentos como comutadores, roteadores, data centers, entre outros serviços. "Com isso, ofereceremos uma melhor qualidade de serviços para os atuais clientes do PTT", diz o executivo Goodkind. De acordo com Goodkind , novos investimentos serão feitos de acordo com a demanda do mercado. "Queremos ser o maior NAP para a América Latina", diz o executivo. AEROPORTO Segundo Goodkind, um NAP assemelha-se a um grande aeroporto, onde as companhias aéreas alugam seu espaço e utilizam seus serviços. Entre os atuais 32 clientes da Rede ANSP que passarão a ser gerenciados pela Terremark destacam-se Agência Estado, Brasil Telecom, COMSAT e lG. "Já temos quatro clientes nos Estados Unidos que querem fazer parte do Nap no Brasil", diz Brian Goodkind.