Notícia

Jornal da Unesp

Traços, versos e verbos

Publicado em 01 junho 2000

A obra de Vinícius de Moraes como retrato de uma época Da lírica a educação, do desenho à tecnologia, em cinco novidades Vinícius de Moraes (1913-1980) não foi apenas o consagrado cantor das paixões e músico do amor, Católico, espiritualista e poeta metafísico na juventude, trabalhou como censor cinematográfico na ditadura de Vargas e, como cronista, construiu, nos anos 1950-60, um original painel do cotidiano carioca. Além disso, foi o primeiro poeta a transformar-se em letrista e cantor popular, realizando uma ponte entre a poesia e a música. Essa vida fascinante levou a historiadora Sônia Alem Marrach, professora de História da Educação e da Cultura da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, câmpus de Marília, a escrever A Arte do Encontro de Vinícius de Moraes: poemas e canções de uma época de mudanças (1932-1980). "Não escrevi uma análise literária ou musical ou uma bibliografia. Discuto, sim, algumas tensões entre poemas, canções, crônicas e textos teatrais com a história da vida social e cultural brasileira", diz a autora. O poeta e diplomata carioca, segundo Sônia, entra na música popular quando ela se torna uma expressão da cultura jovem dos anos 50. Ao lado de Tom Jobim e João Gilberto, deixa de ser inacessível e se torna um ser humano submetido aos tormentos e paixões dos mortais comuns. "Vinícius é uma estrela mergulhada em tormentos, paixões, problemas conjugais e rivalidades mesquinhas. Sua vida não tem final feliz, mas uma proposta feliz: a busca do amor como uma arte do encontro, apesar de tantos desencontros. Isso o diferencia de outras estrelas do período, que se esgotam na problematizarão", conclui a historiadora. A obra, co-editada pela Escuta e Fapesp, custa R$ 29,00 e pode ser adquirida pelos telefones 3865-8950,3675-1190 e 262-8345.