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Trabalhos sobre a gestão da cadeia de suprimentos e os mecanismos de apoio financeiro à inovação rendem prêmio a estudantes de pós-graduação da UFSCar

Publicado em 22 outubro 2012

Trabalhos sobre a gestão da cadeia de suprimentos e os mecanismos de apoio financeiro à inovação renderam a dois alunos do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) o Prêmio da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO). A entrega dos prêmios foi feita na última quinta-feira, dia 18, no Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP), que ocorreu em Bento Gonçalves, RS.

O pesquisador Guilherme Francisco Frederico, orientado pelo professor Roberto A. Martins, do Departamento de Engenharia de Produção (DEP), foi reconhecido pela melhor tese de doutorado, intitulada Proposta de um Modelo para a Adequação dos Sistemas de Medição de Desempenho aos Níveis de Maturidade da Gestão da Cadeia de Suprimentos. Em sua pesquisa ele estudou as cadeias de suprimentos, que envolvem o planejamento da fabricação de um produto, seu estoque e sua distribuição física. Trata-se de um processo que envolve fornecedores, fábricas, distribuidores e varejistas que trabalham na aquisição da matéria-prima e em sua transformação num produto final que é disponibilizado para os clientes. A cadeia de suprimentos é algo que envolve muita complexidade, já que saímos de um contexto interno da fabricação de um produto para um contexto de rede. E nesse sentido há gestões menos maduras e mais maduras, que podem ser caracterizadas por um conjunto de elementos que vão desde critérios de colaboração, responsividade, regulamentação e programas de custos, dentre outros, explica Frederico.

Após um processo de revisão e análise das cadeias de gestão de suprimentos, Frederico propôs um modelo de alinhamento entre os sistemas de medição de desempenho e a maturidade da gestão da cadeia de suprimentos, uma contribuição, segundo ele, que tem sido considerada inédita na área de pesquisa e desenvolvimento da Engenharia de Produção. Além disso, ele ressalta também a relevância de sua tese diante da importância das cadeias de suprimento para a sobrevivência das empresas no mercado competitivo atual. Nossa colaboração é teórica, mas a partir dela é possível pensar em estudos exploratórios que testem o modelo e possibilitem aplicá-lo, pondera o pesquisador.

Já o aluno Alexandre Bueno, orientado pela professora Ana Lúcia Torkomian, também do DEP, teve sua dissertação, intitulada Utilização dos Mecanismos de Apoio Financeiro à Inovação, reconhecida como um dos melhores trabalhos apresentados à entidade. Em sua pesquisa, ele avaliou a utilização dos mecanismos de apoio financeiro à inovação tecnológica por empresas localizadas em São Carlos, especialmente no período posterior ao marco legal da Lei da Inovação, que entrou em vigor em 2004.

Na amostra que analisou, Bueno verificou que era comum as empresas utilizarem recursos próprios no financiamento dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Ocasionalmente as instituições utilizavam mecanismos de incentivo à inovação do governo brasileiro, como os apoios que são dados por meio de recursos financeiros reembolsáveis e não reembolsáveis. Já a utilização de incentivos fiscais governamentais não foi registrada na pesquisa.

Dentre os financiamentos não reembolsáveis, os mais utilizados pelas empresas são-carlenses na verificação de Bueno, foram o Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); o SEBRATec, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); e a Subvenção Econômica, programa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Nos reembolsáveis, os mais usados foram o Cartão BNDES, do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES); a Linha Inovação Tecnológica e o Programa Juro Zero, respectivamente do BNDES e da Finep. Quanto aos incentivos fiscais, uma única empresa utilizou a Lei da Informática e posteriormente a Lei do Bem.

A contribuição do trabalho, segundo Bueno, consiste no reconhecimento desse cenário na cidade de São Carlos, já que os mecanismos de incentivo estudados, além de promoverem o processo de inovação intensiva nas empresas, podem contribuir para a expansão de parques industriais, geração de empregos qualificados e principalmente, estimular a realização de novos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em cooperação com Instituições Científicas e Tecnológicas. O pesquisador, que coordena a área de transferência de tecnologia da Agência de Inovação da UFSCar, pondera que o resultado tem ajudado em seu trabalho na Universidade, já que o mapeamento contribui para um melhor assessoramento das empresas da região que procuram a Instituição em busca de informações sobre financiamento para inovação. Mesmo numa cidade como São Carlos, conhecida como capital da tecnologia, ainda há desconhecimento dos mecanismos de incentivo para inovação e isso é feito nas empresas com recursos próprios e, muitas vezes, sem uma equipe dedicada a projetos, reconhece Bueno, que também ressalta que é preciso que as agências de fomento invistam mais na divulgação de seus mecanismos de apoio à inovação.