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Secretaria de Ensino Superior (SP)

Trabalho de docente da FAMEMA é destaque em congresso dos Estados Unidos

Publicado em 22 agosto 2008

Por Sabine Righetti

Estudo foi escolhido entre os três melhores dentre 250 que serão apresentados

Entre os melhores do mundo, em um congresso americano de medicina, há um brasileiro. Essa é a conquista de José Augusto Sgarbi, professor da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) e chefe de Endocrinologia e Metabologia da mesma faculdade, cujo artigo, sobre as disfunções sub-clínicas da tiróide, foi escolhido entre os três primeiros dentre 250 trabalhos aceitos pela comissão científica da 79ª edição do Congresso da Associação Americana de Tiróide. Trata-se do mais importante congresso em tiróide, reunindo trabalhos dos principais grupos de pesquisadores do mundo. Em virtude da classificação da pesquisa, o trabalho será apresentado oralmente na sessão plenária de abertura do congresso: tradicionalmente, o Congresso Americano de Tiróide reserva a sessão plenária  de abertura da programação científica para a apresentação dos quatro melhores trabalhos enviados.

O estudo de Sgarbi realizou um seguimento longitudinal, ou seja, uma observação, que agora está completando 8 anos, para avaliar a morbidade e a mortalidade das disfunções subclínicas da tiróide em uma população não miscigenada de nipo-brasileiros de Bauru (SP). A disfunção subclínica da tiróide caracteriza um conjunto, quase sempre sem sintomas, de alterações da tiróide, como nódulos não palpáveis, hipertiroidismo subclínico e hipotiroidismo subclínico. Os dados que serão apresentados no congresso correspondem a um período de 7 anos de observação.

A intenção inicial da pesquisa era avaliar a prevalência de doenças da tiróide em uma população geneticamente japonesa (não miscigenada, sem mistura racial) e comparar com os dados da população que reside no Japão. "A hipótese era mostrar como fatores ambientais poderiam contribuir no desenvolvimento de doenças da tiróide, uma vez que o padrão da alimentação e principalmente da ingestão do iodo (vital para a tiróide) são muito diferentes entre as duas populações. No Japão, o consumo de iodo é extremamente elevado, o que pode ser prejudicial à tiróide", explica.

De acordo com o professor Sgarbi, há uma prevalência elevada de doença subclínica da tiróide nesta população de Bauru. "Essa condição ainda é um assunto muito controverso e debatido na literatura, por isso resolvemos fazer a observação", explica. Através de um censo realizado com auxílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa identificou 1.750 indivíduos com mais de 30 anos nesta população. Todos foram convidados a participar do estudo, sendo que 1.330 aceitaram. "Fizemos uma avaliação basal (clínica e laboratorial) entre 1999 e 2000 em todos os indivíduos. Foram, então, identificadas as pessoas com doença tiroidiana subclínica, tanto hipertiroidismo quanto hipotiroidismo.

Resultados

Não há uma definição clara se as doenças subclínicas da tiróide são prejudiciais à saúde do indivíduo e portanto, não há um consenso sobre seu tratamento. "O que nós observamos, é que indivíduos com doença subclínica da tiróide parecem ter um elevado risco de morte, que chega ser até três ou quatro vezes maior comparados aqueles que não apresentavam nenhum problema na tiróide", conclui.

O estudo "As disfunções subclínicas da tiróide são fatores de risco independentes para mortalidade em 7 anos de seguimento. O estudo nipo-brasileiro de tiróide" foi coordenado pelo professor titular de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Rui Monteiro de Barros Maciel, e teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A 79ª edição do Congresso da Associação Americana de Tiróide será realizada de 1º a 5 de outubro, em Chicago, nos Estados Unidos. Será a primeira vez que os resultados do trabalho serão apresentados.