Notícia

Jornal da Unicamp

Trabalho de Cliquet ganha reconhecimento

Publicado em 01 setembro 1997

Há 15 anos dedicando-se a pesquisas sobre estratégias de controle locomotor para indivíduos portadores de deficiência física, o professor Alberto Cliquet Júnior, do Departamento de Engenharia Biomédica (DEB) da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), recebeu das mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 24 de julho último, o prêmio Jovem Cientista de 19%, promovido pelo Conselho Nacional de Pesquisa Tecnológica (CNPq). Entre 131 pesquisas inscritas, ele obteve o segundo lugar na categoria graduado com o trabalho "Sistemas de controle homem-máquina para restauração de movimentos em paraplégicos e tetraplégicos". Desde 1989 Cliquet desenvolve projetos e orienta pós-graduandos na Unicamp e agora começa a ver seu trabalho disseminado. Prova disso é que o primeiro prêmio para graduado coube ao bioengenheiro Josué Bruginski de Paula, contratado como professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná desde maio deste ano. Sob orientação de Cliquet, Josué desenvolveu em seu doutoramento pela Unicamp um oclusor implantável para colostomia. O trabalho foi apresentado junto ao DEB em fevereiro último. Outro premiado, Sandro Scholze (segundo lugar na categoria estudantes) seguiu a trilha das pesquisas de bioengenharia num trabalho de iniciação científica desenvolvido sob a orientação do professor Percy Nohama, no Centro Federal de Tecnologia do Paraná (Cefet). Nohama também foi orientado por Cliquet em seu doutoramento pelo DEB, na mesma época. A escolha dos melhores trabalhos pelo comitê científico do CNPq, segundo Cliquet, mostra a importância das pesquisas desenvolvidas na Unicamp através do DEB e do Centro de Engenharia Biomédica (CEB). Trata-se de linhas de pesquisa que utilizam técnicas de estimulação neuromuscular controlada por computador e microcontroladores, o desenvolvimento e aplicação de sensores, redes neurais, órteses e próteses, dispositivos biomecânicos e órgãos artificiais. Atualmente Cliquet está desenvolvendo pesquisas que abrangem o desenvolvimento de estratégias de modulação e controle sensorial e motor para membros inferiores e superiores paralisados. O projeto está sendo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que destinou cerca de US$ 1 milhão para sua, execução. Desses recursos, poderão ser usados na construção de um laboratório dedicado à pesquisa com deficientes. Homem-máquina - O trabalho desenvolvido pelo professor Alberto Cliquet Júnior. "'Sistemas de controle homem-máquina para restauração de movimentos em paraplégicos e tetraplégicos", compreende seis projetos em engenharia de reabilitação, todos testados no Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp em portadores de deficiência física. Atualmente há cerca de 15 pacientes voluntários participando dos projetos. Denominado instrumentação para controle locomotor, um dos projetos consiste no desenvolvimento de um sistema híbrido que compreende uma órtese mecânica e um sistema de estimulação neuromuscular para paraplégicos, tetraplégicos e amputados. O segundo possibilita a restauração da locomoção em portadores de lesão medular. Há também o emprego de redes neurais e processamento da voz para a restauração de funções em membros superiores de indivíduos com paralisia, já que a grande maioria desses indivíduos tem a voz preservada. Em outro projeto aplica-se um sistema de estimulação neuromuscular multicanal, através do qual os movimentos são otimizados no tempo e sincronizados por um estimulador controlado por microcomputador. Um sistema de controle ele tromiográfico para uso durante a locomoção (via estimulação elétrica neuromuscular) é outra ferramenta desenvolvida no projeto homem-máquina. Sinais de músculos intactos acima do nível da lesão controlam a locomoção artificial, inclusive de próteses como no caso de amputados. Um sistema de comunicação para cegos completa o projeto homem-máquina, pela estimulação que transmite informações ópticas através de sensação tátil. Oclusor - O trabalho que mereceu o primeiro lugar no 14° Prêmio Jovem Cientista é destinado para tratamento de incontinência em pessoas que não possuem controle fecal e necessitam de uma bolsa plástica anatômica, junto à pele, para coletar as fezes. O oclusor ativo implantável para colostomias substitui a ação do músculo que controla a abertura e o fechamento do intestino. O oclusor possui uma fita plástica colocada ao redor do cólon e um sistema lógico que aciona um motor, que gradualmente aperta a fita aumentando ou diminuindo o diâmetro do intestino. O indivíduo passa a ter um controle artificial na liberação das fezes. (CP.)