O Brasil ainda está descobrindo seu próprio caminho para a eletrificação da frota e a redução das emissões de poluentes. Atualmente, o mais provável é o avanço do uso de etanol, como defenderam recentemente Volkswagen e Stellantis.
Agora, a Toyota, que já possui a tecnologia híbrida flex, participará de uma pesquisa que tenta usar etanol para gerar hidrogênio e mover os carros elétricos. O projeto terá custo de R$ 50 milhões e será financiado pela Shell Brasil e Raízen.
As pesquisas serão tocadas pela Universidade de São Paulo (USP), pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) e pelo Senai CETIQT. Já a Toyota, entrará com uma unidade do sedan Mirai, o primeiro carro a hidrogênio produzido em série no mundo.
"A produção local de hidrogênio renovável por meio da reforma do etanol é uma solução eficiente, sustentável e facilmente replicável globalmente, devido ao baixo custo de transporte do biocombustível.", afirma Mateus Lopes, diretor de Transição Energética e Investimentos da Raízen.
Como transformar etanol em hidrogênio
Essa não é a primeira iniciativa nesse sentido. Desde 2016, a Nissan trabalha no mesmo método. Naquele ano, a empresa trouxe ao Brasil a van e-NV200, que tem baterias de 24kWh e é abastecida com células de combustível.
No entanto, em vez de abastecer com hidrogênio puro, como seria o padrão, o veículo é adaptado para etanol (C2H6O). Para que isso aconteça, um catalisador composto por óxido de cério (CeO2) e metais preciosos, por exemplo, quebra as moléculas do etanol, separando o hidrogênio.
A partir daí, o gás é injetado em um dispositivo que opera entre 600 oC e 800 oC, são as células de combustível de óxido sólido (SOFC). As reações químicas nas SOFC transformam o hidrogênio em eletricidade, que é armazenada na bateria recarregável e serve para mover o motor elétrico.
A reação da separação do hidrogênio do etanol até libera carbono, que é um dos principais poluentes, no entanto, sua concentração é neutralizada pelo plantio da cana-de-açúcar.
Outra vantagem das SOFC é sua eficiência térmica, entre 10% e 20% superior às células a combustível tradicionais na conversão de energia química em elétrica. Ou seja, enquanto um propulsor térmico convencional desperdiça mais de 70% da energia gerada pelo etanol ao longo do processo de combustão e tração, um veículo elétrico SOFC com microrreformador interno conseguiria aproveitar mais da metade dessa mesma energia, praticamente dobrando a eficiência térmica.
etanol. Portanto, uma média de 20 km/l.