Para se chegar ao percentual de 11,7%, foram analisados os quase 30 mil testes de RT-PCR aplicados em 4.269 atletas que disputaram seis competições masculinas (três divisões do Paulistão, Taça Paulista, Sub-23 e Sub-20) e duas femininas (Estadual e Sub-17). No total, 501 exames deram positivo: "É uma taxa de ataque bem superior à observada em outros países. Na liga dinamarquesa de futebol, por exemplo, foram quatro resultados positivos entre 748 atletas testados (0,5%). Na Bundesliga (da Alemanha), foram oito casos entre 1.702 jogadores (0,6%). Mesmo no Qatar, onde há um risco moderado de transmissão comunitária, o número foi menor que o nosso: 24 positivos entre 549 avaliados (4%)", afirmou Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da pesquisa, à Agência Fapesp.

Também foram analisados 2.231 testes realizados em integrantes de equipes de apoio - comissão técnica, dirigentes, roupeiros, médicos etc -, com 161 positivados, ou seja, 7% do total. Os autores da pesquisa acreditam, ainda, que os números estejam subestimados: "Embora nossos dados sinalizem que os atletas tendem a desenvolver sintomas leves ou mesmo serem assintomáticos, eles podem atuar como vetor de transmissão para a comunidade. Em geral, são indivíduos com uma vida social muito ativa", completou Gualano. Até o momento, poucos casos graves e apenas uma morte foram registrados, mas todos entre pessoas que trabalham no estafe.