Notícia

Jornal de Brasília

Tolerantes e produtivas

Publicado em 23 outubro 2009

Para mostrar novas tecnologias na área de biotecnologia vegetal, a Embrapa está participando da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A Embrapa, em parceria com o Centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento (Cirad), escolheu como destaque para esta edição, apresentar o melhoramento genético de café.

O objetivo principal desta pesquisa é desenvolver plantas de café melhoradas genericamente com duas características principais: tolerância à seca e grãos com melhor qualidade. A base para o desenvolvimento desses trabalhos é o banco de dados resultante do sequenciamento do genoma do café.

A primeira etapa da pesquisa foi concluída em 2004, por meio de uma parceria entre a Embrapa Café (Brasília-DF), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Essa iniciativa colocou o Brasil na posição de vanguarda das descobertas tecnológicas e deu origem ao maior banco de dados para café do mundo, que possui 200 mil sequências de DNA dessa planta.

O estabelecimento do banco de dados genéticos marcou o fim da primeira fase do sequenciamento do genoma do café. Atualmente, cientistas brasileiros e franceses estão na fase denominada como pós-genômica, na qual mais de 30 mil genes já foram identificados e estão sendo utilizados na pesquisa de melhoramento genético do café.

Genes

A seca é um problema que afeta severamente duas regiões importantes na cafeicultura nacional: o Cerrado e a Região Nordeste do Brasil, especialmente a Bahia. A identificação e o conhecimento dos genes de resistência à seca vão acelerar o melhoramento genético do café, seja pelos métodos convencionais de cruzamento ou por meio da engenharia genética.

O pesquisador Pierre Marraccini, do Cirad, explica que para obter variedades mais produtivas de café com tolerância à seca, todas as partes e funções das plantas são estudadas. As pesquisas começam com as raízes e vão até à plasticidade - a capacidade da planta de reagir a situações de estresse climático -, passando por pesquisas da seiva e da fotossíntese das plantas.

O pesquisador explica que é preciso identificar o gene diferente da planta tolerante e da não tolerante. Para isso, foram descobertos 25 genes em potencial da espécie de café robusta de origem do Estado do Espírito Santo, por meio da seleção melhorada da matéria molecular.