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Gazeta de Ribeirão online

Todos eles são prata da casa

Publicado em 14 março 2009

Que rumos tomaram os pesquisadores brasileiros amparados com alguma modalidade de bolsa ao longo da vida acadêmica? Segundo minucioso estudo divulgado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — Perfil e Trajetória Acadêmico-Profissional de Bolsistas Fapesp —, uma das principais instituições de fomento à pesquisa do País, 54,5% dos bolsistas apoiados pela instituição chegaram ao doutorado. Desse universo, 77% atuam em instituições de ensino e pesquisa do Brasil ou Exterior (1,7%) e só 13,2% não seguiram na carreira acadêmica.

“Esses dados revelam que ainda há a cultura de que as empresas brasileiras investem pouco em pesquisa e desenvolvimento e, por isso, não absorvem mão de obra qualificada, muito embora careçam dela. Há que se criar esse mercado para os produtores de conhecimento em todos os setores e o Brasil tem se esforçado para isso”, avalia o secretário estadual de ensino superior Carlos Vogt, um dos autores da pesquisa (presidia a Fapesp à época do levantamento).

Na avaliação de egressos da instituição que se tornaram pesquisadores, esse nicho de mercado não só existe como está em ascensão. “Conheço colegas que já foram absorvidos e sei que as empresas da área química estão investindo em pesquisa e desenvolvimento, a exemplo da Libbs Farmacêutica, em Cotia”, revela o doutorando em Química pela Unicamp Giovani Amarante, que se graduou e concluiu o mestrado em química na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O mestrando em Química pela Unicamp Adilson Brandão, também graduado em Química pela UFJF, partilha de opinião semelhante. “Não descarto a possibilidade de ingressar numa empresa nacional, nem a de seguir na academia como pesquisador e docente”, diz.

Na prática, ser bolsista significa dedicar-se exclusivamente ao conhecimento. “A bolsa que recebo hoje da Fapesp gira em torno de R$ 1,3 mil, valor que não cobre o custo de vida campineiro. Mas em termos de formação, essa dedicação compensa. E muito. Estou investindo em minha formação”, pontua.

E os químicos são os que mais vão adiante em termos de conhecimento. Segundo o levantamento da Fapesp, 75,5% dos doutorandos que já formam beneficiados com alguma modalidade de bolsa da instituição são da área de Química. As áreas de Astronomia e Ciência Espacial, Física, Engenharia, Saúde vem a seguir no mesmo ranking.

Celeiro Paulista

Ainda segundo o estudo, dos bolsistas Fapesp que se tornaram pesquisadores, 26,4% se ligaram a USP, 9,1% a Unesp a 8,4% a Unicamp. Segundo a Pró-Reitora de Pós-Graduação da Unicamp Teresa Dib Zambon Atvars, em 2008, a instituição concentrava 1.344 bolsistas Fapesp, sendo 631 mestrandos e 713 doutorandos, distribuídos em todas as áreas e segue atraindo novas cabeças desde 2006.

“A universidade tem um grande número de estudantes que recebem bolsas de convênios com empresas nacionais e multinacionais, com destaque para as áreas de engenharias e ciências do petróleo ”, avalia a pró-reitora.