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Clipping Ministério do Planejamento

Toda a verdade

Publicado em 31 março 2013

Por Luiz Carlos Azedo

Os arquivos e os prontuários do extinto Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops) a partir de amanhã estarão disponíveis na internet. São mais de 1 milhão de páginas de documentos digitalizadas. O órgão se destacou na repressão aos oposicionistas durante o regime militar, primeiro por causa da Operação Bandeirantes, comandada pelo delegado Sergio Fleury, responsável pela morte do líder comunista e guerrilheiro Carlos Marighella; depois, no período da chamada abertura política, pela atuação discreta e eficiente do então delegado Romeu Tuma espionando a oposição.

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O acervo está sendo disponibilizado graças à atuação da Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e do projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Foram dois anos de trabalho para digitalizar os documentos.

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O trabalho realizado em São Paulo contrasta com o que está sendo feito pela Comissão de Verdade da Presidência da República, que optou por garimpar em sigilo os documentos, com foco nos desaparecidos, em vez de promover de imediato o amplo acesso a eles. A desburocratização do acesso aos documentos do Arquivo Nacional em Brasília daria oportunidade a pesquisadores e a parentes das vítimas do regime militar de fazerem essa garimpagem com mais rapidez. Por lei, os documentos estão livres de qualquer censura.

Devagar

A propósito, a presidente Dilma Rousseff - que instalou a Comissão da Verdade, apesar da forte oposição de setores militares - está insatisfeita com a lentidão dos trabalhos da comissão, hoje sob a presidência de Paulo Sérgio Pinheiro. Uma das autoridades da área de direitos humanos mais respeitadas no mundo, Pinheiro substituiu o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles.

Correio Braziliense - 31/03/2013