Notícia

Jornal da Tarde

Time de Serra irrita aliados

Publicado em 22 novembro 2006

As novas indicações feitas pelo governador eleito José Serra (PSDB) para seu secretariado aumentaram o espaço do PFL e começaram a provocar descontentamento entre aliados. Ontem, o tucano nomeou mais três auxiliares: Francisco Graziano (Meio Ambiente e Recursos Hídricos), João de Almeida Sampaio Filho (Agricultura) e Guilherme Afif Domingos (Emprego e Relações do Trabalho).
Candidato derrotado a senador, Afif reforça a cota pefelista; até agora, a legenda tem 3 secretarias: Assistência Social, Educação (a secretária Mária Lúcia Vasconcelos não é filiada, mas é ligada ao atual governador, Cláudio Lembo, do PFL) e Trabalho, mais do que tinham na gestão Geraldo Alckmin (PSDB) - Justiça e Esporte.
Para acalmar os ânimos, Serra marcou para hoje almoço com representantes do PTB, PPS - atual MD - e do próprio PSDB. Entre outras coisas, deverá dizer que ele ficará responsável pelas indicações dos secretários mesmo nas pastas entregues aos aliados. Nos bastidores, tucanos também estão contrariados com o espaço do PFL, que pode crescer mais. O deputado federal José Aristodemo Pinotti (PFL) pode levar a pasta de ensino superior a ser criada por Serra.
O maiof foco de reclamações foi a indicação de Afif para o Trabalho. A Força Sindical havia até aprovado nome apoiado por todas as centrais sindicais para a secretaria: o do sindicalista Tadeu Morais. O presidente da Força em São Paulo, Danilo Silva, disse que ficou 'perplexo' e lembrou que Afif votou contra várias questões essenciais aos trabalhadores. A Força é ligada ao PDT - Paulo Pereira da Silva, presidente da entidade, é filiado ao partido -, e apóia o tucano.
Também houve chiadeira no PTB, que controla Trabalho atualmente. O partido viu o posto ser dado Afif e não obteve nenhum aceno de Serra sobre o futuro da legenda no governo. A expectativa petebista era até de espaço mais expressivo, já que estiveram na coligação que elegeu Serra. Com Alckmin, em 2002, o apoio foi só no 2º turno.
No PPS, Serra terá outro problema. Pessoas próximas do diretor da Fapesp, Carlos Henrique Cruz, cogitado para a Secretaria da Ciência e Tecnologia - a ser dada ao PPS - , disseram que ele resiste à idéia.
Depois de ter anunciado 13 secretários - são 23 pastas - , restam poucas opções. A mais cobiçada - e ainda indefinida - é a Habitação por causa do orçamento gordo. Aliados apostam, porém, que ela fica com o PSDB. O mesmo deve ocorrer com a Cultura, hoje com o PPS. O mais cotado para a vaga é o tucano José Henrique Lobo, que coordenou as campanhas de Serra e Alckmin.
A pasta que ficará sob comando de Graziano sairá da fusão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Mas deve ser criada uma pasta para cuidar de saneamento e energia, subordinada à Sabesp.