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Testes da vacina brasileira contra Aids entram em novo estágio

Publicado em 19 agosto 2013

A vacina brasileira de combate ao vírus HIV, denominada HIVBr18, progride em estágios promissores e pode ser uma das candidatas nacionais mais evoluídas para tornar-se uma via alternativa na síntese de um medicamento contra a Aids. O próximo estágio é a fase de testes em macacos, e em caso de resultados positivos, será testada em humanos.

Os procedimentos nos macacos terão duas funções, testar a imunogenicidade e segurança, isto é, avaliar se o sistema imune dos macacos reage de forma positiva à vacina. O procedimento será efetuado com macacos rhesus mantidos pelo Instituto Butantan, com sede em São Paulo (SP).

Desenvolvida pelos pesquisadores Edécio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia (INCT III), integrante do programa financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as Fundações de Amparo à Pesquisa, neste caso a do Estado de São Paulo (Fapesp), a vacina já foi inclusive patenteada.

"Os macacos rhesus não se infectam com o HIV. Serão dois passos, um piloto da vacina com protocolo altamente imunogênico, mas que sabemos que não pode ser usado em humanos, vacinação com DNA seguida de vacinação com Adenovírus 5 recombinantres contendo os fragmentos do HIV selecionados", explica Edécio.

Em paralelo, o segundo protocolo comparará a vacina de vários vetores virais já liberados para uso em humanos. "Todos esses vetores virais contêm material genético que codifica os fragmentos da HIVBr18", diz Edécio. Esses procedimentos só são passíveis de serem realizados porque a HIVBr18 induziu respostas positivas no sistema imunológico dos camundongos.

Chances dos testes pré-clínicos

A similaridade entre o sistema imunológico humano e o dos símios possibilita comparações com maior grau de precisão e se houverem respostas positivas novamente contra os subtipos conhecidos do vírus HIV, aumentam as chances dos testes pré-clínicos em humanos. "Há dezenas de vacinas já testadas em macacos, algumas com resultados excelentes. Só podemos afirmar que as premissas dessa vacina são diferentes de todas as outras e por serem diferentes tem uma chance a mais", informa Edécio.

Porém, ele alerta que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para a produção em larga escala do possível novo medicamento. "Não há como estimar a chance de sucesso da vacina antes de testá-la em humanos. Se os testes nos macacos  e os ensaios clínicos de fase I em humanos, de segurança e imunogenicidade, derem certo, os testes de eficácia não começam antes de 2019", acredita o pesquisador.

Os testes de eficácia são ensaios clínicos do tipo IIb ou III, que necessitam da participação de um grande número de pessoas. Geralmente, entre três e vinte mil voluntários são acompanhados durante este período, num prazo de cinco anos, a etapa mais cara do teste da vacina. Segundo Edécio, três características diferenciam a vacina brasileira dos demais imunizantes  testados pelo mundo.

"Ela estimula respostas de linfócitos do tipo CD4+, capazes de auxiliar as respostas de linfócitos do tipo CD8+ e anticorpos. É composta exclusivamente de regiões altamente conservadas do HIV, isto é, não variam do vírus HIV de um indivíduo para o outro e foi desenhada para desencadear respostas imunes mais intensas na grande maioria dos indivíduos", conclui.

Aids

A Aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. O próprio tratamento dessas doenças fica prejudicado.

Há alguns anos, receber o diagnóstico de Aids era uma sentença de morte. Mas, hoje em dia, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. Basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas.

Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda fazer o teste sempre que passar por alguma situação de risco e usar sempre o preservativo.

Antirretrovirais

Os medicamentos antirretrovirais surgiram na década de 1980, para impedir a multiplicação do vírus no organismo. Eles não matam o HIV , vírus causador da Aids, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, seu uso é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida de quem tem Aids.

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiaids para todos que necessitam do tratamento. Segundo dados de dezembro de 2012, 313 mil pessoas recebem regularmente os remédios para tratar a doença. Atualmente, existem 21 medicamentos divididos em cinco tipos. As classes de medicamentos antirretrovirais são Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa; Inibidores Não Nucleosídeos da Transcriptase Reversa;  Inibidores de Protease e inibidores de fusão e os Inibidores da Integrase.

Para combater o HIV, é necessário utilizar pelo menos três antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de classes diferentes, que poderão ser combinados em um só comprimido. O tratamento é complexo, necessita de acompanhamento médico para avaliar as adaptações do organismo ao tratamento, seus efeitos colaterais e as possíveis dificuldades em seguir corretamente as recomendações médicas, ou seja aderir ao tratamento. Por isso, é fundamental manter o diálogo com os profissionais de saúde, compreender todo o esquema de tratamento e nunca ficar com dúvidas.

Fontes:

CNPq

Ministério da Saúde