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Teste de saliva serve para detectar Covid-19 em crianças, diz estudo

Publicado em 13 abril 2021

Por Glaucia Chaves

Cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) descobriram que a análise da saliva pode ser tão eficaz para identificar a Covid-19 em crianças sintomáticas que o teste RT-PCR, considerado padrão-ouro para a detecção da doença. O estudo foi feito em colaboração com o Serviço Especial de Saúde de Araraquara (SP) e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A testagem molecular da saliva tem como principal vantagem a praticidade, de acordo com os pesquisadores. Por não ser tão invasivo quanto o RT-PCR, em que as amostras são coletadas através de swabs (cotonetes) de nasofaringe (nariz) e orofaringe (garganta), o método facilita a testagem em crianças.

Paulo Henrique Braz-Silva, coordenador do estudo e professor da Faculdade de Odontologia (FO-USP), explica que a equipe observou a mesma performance diagnóstica, com sensibilidade de aproximadamente 90%, para amostras de saliva e esfregaço (swab) de nasofaringe.

O estudo coletou amostras de secreção nasofaríngea e de saliva de 50 crianças com sintomas leves de coronavírus. Depois, submeteram ambas ao teste de RT-PCR, para comparar os resultados aos das análises de saliva. “Dez crianças apresentaram resultados positivos para o Sars-CoV-2. E o diagnóstico por amostras de saliva mostrou-se tão eficaz quanto o diagnóstico por esfregaço de nasofaringe”, detalhou Braz-Silva.

Além de ser mais prático e menos invasivo que o teste com esfregaço nasal, a testagem molecular da saliva é um método que pode ser feito em larga escala de maneira mais simples, de acordo com os especialistas.

“O uso da saliva para diagnóstico da Covid-19 em crianças abre uma perspectiva de entendimento de como a circulação do Sars-CoV-2 se dá nessa faixa da população, ainda mais com a reabertura de escolas. A obtenção da amostra é tão simples que, dependendo da idade, pode inclusive ser adotada a auto-coleta”, frisa Paulo Henrique Braz-Silva.

O artigo sobre a descoberta foi publicado na plataforma medRxiv e ainda não foi revisado por outros cientistas.