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Teste de diagnóstico rápido de câncer de bexiga é desenvolvido por startup

Publicado em 05 abril 2021

A startup paulista Solve Biotechnology desenvolveu um teste rápido para o diagnóstico de tumores de bexiga, que tem como principal objetivo diminuir a quantidade de exames invasivos que os pacientes são submetidos desde a descoberta do câncer até o fim do tratamento. A inovação está em fase de escalonamento industrial, ou seja, os experimentos que foram realizados em laboratórios estão sendo avaliados para produção em escala industrial.

O exame de baixo custo é baseado na detecção de diferentes assinaturas moleculares (biomarcadores) relacionadas ao câncer de bexiga presentes na urina dos pacientes. Caso determinadas proteínas sejam detectadas no material coletado, anticorpos presentes no teste fazem com que as partículas fiquem aglutinadas e que a urina tenha o aspecto de um líquido coalhado. “Isso não ocorre sem a presença de traços moleculares do tumor de bexiga em uma amostra de urina”, explicou uma das sócias da startup, Juliane Vieira Alberice, à Agência Fapesp [Pesquisa para Inovação].

A ideia de desenvolver o teste surgiu quando Alberice realizava doutorado em química analítica na Universidade de São Paulo (USP) em um projeto de pesquisa relacionado a cânceres de bexiga. A pesquisadora se associou a química Juliane Cristina Borba, para concretizar o plano.

“Quando começamos a pesquisar o assunto, percebemos que os testes diagnósticos para o câncer de bexiga eram caros e invasivos, um grande transtorno para a vida dos pacientes”, diz Borba. “Além disso, existiam poucos testes que podiam ser feitos apenas pela urina, e a maioria era importado e dava muitos resultados falso-positivos, gerando sérios problemas para o acompanhamento dos casos”, afirmou

Após conversarem com médicos e pacientes, as pesquisadoras definiram o objetivo de criar um teste diagnóstico de tumor de bexiga que fosse mais barato e não invasivo. Para viabilizar a ideia, empregaram técnicas de nanotecnologia e de imunologia.

“Hoje, o exame mais usado para o diagnóstico de tumores de bexiga é a cistoscopia. Mas, por ser caro e invasivo, muitas vezes ele é o último a ser pedido pelo médico. Além disso, é um exame que precisa ser realizado várias vezes durante a fase de acompanhamento de possível reincidência”, explica Borba. A cistoscopia é um exame realizado com a introdução pela uretra de um instrumento com uma câmera para a visualização óptica de tecido da bexiga.

O teste que está sendo desenvolvido não irá substituir a cistoscopia, mas deverá auxiliar a identificar o tumor em seus estágios iniciais, evitando a retirada desnecessária da bexiga. “Hoje, devido ao diagnóstico tardio, pelo fato de os exames serem caros e invasivos, isso acaba ocorrendo com muita frequência”, destacou a química Juliane Cristina Borba.

A retirada da bexiga causa um grande impacto na vida dos pacientes. O órgão precisa ser substituído por uma bolsa artificial. “Como os biomarcadores que nós desenvolvemos são bastante ativos, os testes feitos até agora tanto com amostras sintéticas, mimetizadas, como com a urina de pacientes com o tumor mostram que será possível agilizar o diagnóstico da doença”, afirmou.

O câncer de bexiga, atualmente, afeta milhares de pessoas no Brasil, principalmente os homens. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa de novos casos para 2020 foi de 10.640, sendo 7.590 em homens e 3.050 em mulheres. O total de mortes foi estimado em 4.517, sendo 3.115 homens e 1.402 mulheres.

“Durante todas as fases do projeto, parte da pesquisa envolveu a conversa com vários pacientes que tiveram que fazer diversas vezes a cistoscopia. Existe uma questão psicológica importante envolvida em todo o processo, ainda mais por causa do exame ser bastante desconfortável, principalmente para os homens”, disse a pesquisadora.