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Revista Rural online

Termografia ajuda a monitorar bem-estar animal

Publicado em 13 julho 2020

O uso da termografia infravermelha tem mostrado grande potencial e poderá ser ampliado nas pesquisas que avaliam o conforto térmico animal em sistemas integrados de produção. A técnica permite mapear um corpo ou uma região para distinguir áreas de diferentes temperaturas por meio da visualização artificial da luz dentro do espectro infravermelho. O método é considerado não invasivo, permite análises à distância, gera imagens bidimensionais, é portátil e permite o registro em vídeos.

O uso do método é defendido pelo projeto “Do céu às células – uma abordagem multidimensional do conforto térmico animal em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)”, liderado pelo pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), e tem a participação dos pesquisadores Leonardo Nanni Costa, da Universidade de Bolonha, e Fabio Luzi, da Universidade de Milão.

O projeto começou em 2019 e termina no ano que vem, com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e aponta os principais benefícios das sombras das árvores na fisiologia de bovinos de corte, que permitem indicar a ILPF como estratégia produtiva para melhorar o bem-estar animal e a produtividade.

Rossetto mostra com imagens aéreas, de termografias e fotografias convencionais, os resultados parciais já obtidos. O sistema de captação de dados é feito por sensores instalados em colares em animais das raças Canchim e Nelore. Os gráficos identificam deslocamento, ócio e ruminação, obtidos a partir de mais de 41 mil horas de monitoramento. Os dados coletados permitem também fazer uma avaliação das características do pelo e a estrutura morfológica da pele de bovinos; além de outros dados envolvendo os efeitos do sombreamento no conforto térmico dos animais.

De acordo com pesquisador, “embora as causas do desconforto térmico sejam diurnas, as consequências negativas também se manifestam no período noturno”.

Os resultados obtidos na Itália também, reforçam o conceito defendido pelo projeto. O agrônomo Fabio Luzi e a física Veronica Redaelli relataram o uso de termografia em pequenos animais, cavalos, répteis, primatas não humanos, suínos, aves e bovinos.

Além dos animais, a termografia pode ser usada para monitorar o ambiente e a alimentação fornecida a eles, como a silagem. A técnica também é útil para monitorar situações críticas como o transporte de animais.

Leonardo Nanni afirma que o bem-estar animal ante e pós-morte, apresenta o conceito de dor e os comportamentos associados a ela, seja na vocalização, temperatura, postura e locomoção. O pesquisador aponta estudos que codificam e quantificam as expressões faciais de dor em ovinos, trabalho que tem como base as expressões humanas, mas é desenvolvido com apoio de instrumentos eletrônicos.

Segundo Nanni, o uso da termografia vem ganhando relevância nos estudos sobre bem-estar animal justamente por não ser invasiva.

O projeto Do Céu às Células tem parcerias também com as empresas Cowmed e Airscout Brasil, especializadas em monitoramento animal e ambiental, com a UFF (Universidade Federal Fluminense), USP (Universidade de São Paulo), UFPA (Universidade Federal do Pará) e Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia). Há financiamentos da Fapesp, CNPq e Capes, além de recursos da própria Embrapa por meio da Rede de Pesquisa em Agricultura de Precisão, chamada Rede AP. A Rede ILPF também é cofinanciadora do projeto.