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Terceira melhor máquina do mundo em previsão do tempo é do Brasil

Publicado em 05 junho 2011

À primeira vista, o Tupã parece até um pouco mirrado, embora homônimo do deus indígena da chuva e do trovão. Fisicamente, não é maior que um aglomerado de geladeiras. Mas essa impressão de fragilidade se desfaz, à medida que sua força bruta entra em ação. Ele é a terceira máquina mais potente do planeta, empregada em previsões do tempo. Só perde para dois equipamentos semelhantes instalados em centros de pesquisas dos Estados Unidos. No ranking dos 500 maiores supercomputadores existentes no mundo, verdadeiras usinas de processamento de dados, ocupa o respeitável vigésimo nono posto. Desde o fim de março, o equipamento está sendo utilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, para rodar os modelos matemáticos que fornecem a matéria-prima para a análise do clima em todo o país.

Um passeio pelas entranhas do Tupã detalha todo seu poder. Ele opera com 30,5 mil processadores (o equivalente a chips com um núcleo). Essa massa de silício atinge uma velocidade de processamento de 258 teraflops (trilhões de cálculos por segundo). Tudo isso significa que o novo supercomputador do Inpe realiza em uma hora a mesma tarefa que um computador pessoal, um PC, consumiria 25 anos para executar. Outro atributo com cifra impressionante é a memória do sistema. Ela conta com um total de 10 petabytes, o correspondente a dez vezes 1.000.000.000.000.000 bytes (um quatrilhão de bytes). Tal espaço corresponde a uma estante com 20 bilhões de livros, cada um com 200 páginas.

O Tupã, porém, não é somente um prodígio em números. Tem como tarefa fornecer dados mais precisos para a previsão do tempo e estudos climáticos no Brasil. O sistema foi construído pela empresa Cray, tradicional fabricante americana de supercomputadores. Custou R$ 50 milhões, bancados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele substituirá uma máquina produzida pela NEC, usada desde 2002 pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Inpe. Detalhe: o novo aparelho é 50 vezes mais potente que o antecessor.