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Terapia gênica não viral para tratar doenças é alvo de pesquisa

Publicado em 23 outubro 2012

Por Victor Stok

A terapia gênica - tipo de tratamento que se faz pela transferência, por meio de vetores, de material genético para dentro de células específicas do paciente, buscando-se substituir, corrigir ou suplementar genes ausentes ou defeituosos, responsáveis pelo desenvolvimento das doenças - tem potencial para tratar uma grande variedade de desordens genéticas, como diabetes, câncer e hemofilia.

Uma pesquisa dos Programas de Pós-Graduação em Química e Biofísica Molecular da Unesp de São José do Rio Preto tem estudado a terapia gênica a partir da síntese de nanopartículas, a fim de verificar se elas são capazes de transportar material genético. O foco da pesquisa é utilizar esse conhecimento no tratamento de artrite reumatoide.

O aluno Bruno Corte, que realiza o estudo sob a orientação do docente Marcio Tiera, do Departamento de Química, explica que os vetores virais ainda são os mais investigados para terapia gênica, uma vez que sua alta eficiência nesse transporte já é comprovada. "Porém, sabemos que os vetores não virais oferecem várias vantagens sobre o sistema viral, que incluem principalmente a preparação e a segurança", afirma.

De acordo com o professor Marcio Tiera, o problema do vetor viral é que o organismo o reconhece como um "ser estranho". "No caso do vetor não viral, a resposta imunológica é menor", diz.

A síntese de partículas realizada pelos pesquisadores é feita pela modificação de quitosana - polímero natural muito abundante na natureza -, que é ligada a outras moléculas responsáveis por melhorar as características da nanopartículas em meio fisiológico. Feita essa ligação, analisa-se a capacidade dessa partícula de carregar genes.

"As nanopartículas são preparadas e testadas no transporte do DNA contendo os genes terapêuticos, possibilitando verificar se elas são capazes de atingir e liberá-los nas células-alvo", destaca o estudante. A ideia é que tais genes corrijam a ausência de alguma proteína na célula.

O projeto é financiado pela Fapesp e teve início em 2008. De uma série de 15 polímeros, dois já apresentaram boas respostas em testes in vitro e foram selecionados para testes in vivo, que serão feitos na etapa que se inicia agora.

Bolsa para o Canadá - Contemplado com uma bolsa de seis meses no Programa de Futuros Líderes das Américas para continuar o projeto de mestrado no Canadá, o estudante vai aplicar os conhecimentos adquiridos no tratamento de artrite reumatoide. "No Canadá, onde os estudos na área são avançados, pesquisarei quais são as melhores condições para que essas nanopartículas realizem o tratamento da artrite", afirma Bruno.

As pesquisas serão realizadas no Hospital do Sagrado Coração de Montreal, onde estão instalados os laboratórios do professor Julio Fernandes, orientador do estudante no país. Os estudos vão começar no início de novembro.

Unesp/São José do Rio Preto