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Terapia fotodinâmica pode combater infecções decorrentes da COVID-19

Publicado em 01 julho 2020

A terapia fotodinâmica pode ser uma eficiente aliada no combate a infecções secundárias decorrentes da COVID-19. O uso da técnica – que combina aplicação de luz com uma substância sensível à luz para matar microrganismos no trato respiratório – foi defendido como tratamento complementar por pesquisadores do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) em carta publicada na revista Photodiagnosis and Photodynamic Therapy .

“A COVID-19 traz complicações que vão além do vírus e devemos nos preocupar também em buscar tratamentos para esses outros problemas. Tratar essas infecções correlatas pode melhorar o prognóstico dos casos graves e, sobretudo, daqueles pacientes que foram intubados e, portanto, correm maior risco de infecção por outros microrganismos, como bactérias causadoras de pneumonia”, diz Vanderlei Bagnato , coordenador do CEPOF – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP, com sede na Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos.

A terapia fotodinâmica consiste em eliminar microrganismos por oxidação a partir do uso de luz e substâncias fotossensibilizadoras depositadas no trato respiratório do paciente. Ao interagir com a luz, os compostos usados geram uma espécie de oxigênio reativo, chamado de oxigênio singleto, capaz de oxidar as membranas de vírus e bactérias, matando ou inativando esses microrganismos. “Quando o paciente inala essas substâncias, é possível ativar a droga com iluminação extracorpórea, que começa a atuar nos microrganismos que estão nas vias aéreas”, diz.

A despeito de a terapia fotodinâmica não atuar diretamente no combate do novo coronavírus (SARS-CoV-2) – pois não elimina os microrganismos presentes na circulação sanguínea, apenas nas vias aéreas –, os pesquisadores ressaltam a necessidade de desenvolvimento de técnicas que combatam infecções correlatas à COVID-19 causadas por bactérias e outros vírus, evitando cuidados médicos intensivos e minimizando a transmissão a outras pessoas.

O CEPOF tem realizado diversos trabalhos sobre o uso da técnica para o tratamento de pneumonia, câncer de pele e outras doenças. “Inclusive, vamos iniciar um estudo em suínos para avaliar o uso da terapia fotodinâmica em casos de pneumonia. Essa etapa antecede os testes clínicos em humanos”, diz Bagnato.

O estudo deve ser conduzido ainda por pesquisadores da Universidade de Ontário, no Canadá, em parceria com o grupo do CEPOF. “Esperamos que o estudo seja acelerado, até porque, embora ainda não se saiba ao certo, é provável que pessoas que sobreviveram à COVID-19 possam ter maior propensão a complicações respiratórias, como a pneumonia, por consequências das inflamações severas. É preciso usar novas técnicas, ampliar tratamentos alternativos”, diz.

Na carta, os pesquisadores alertam que, nos casos de COVID-19, a propagação de patógenos oportunistas ocorre principalmente no trato respiratório devido à colonização natural do SARS-CoV-2 na orofaringe. “A terapia fotodinâmica auxilia não apenas a reduzir o número de microrganismos presentes na orofaringe, como também evita sua penetração na mucosa e, consequentemente, sua proliferação”, dizem.

A carta COVID-19: Beyond the virus. The use of photodynamic therapy for the treatment of infections in the respiratory tract (doi: 10.1016/j.pdpdt.2020.101804), de Lucas D. Dias, Kate C. Blanco e Vanderlei S. Bagnato, pode ser lida em