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Terapia biofotônica pode eliminar vírus e bactérias de órgãos para transplante

Publicado em 15 março 2019

Uma nova técnica que possibilita descontaminar órgãos para transplante com uso de radiação ultravioleta e luz vermelha foi desenvolvida por pesquisadores brasileiros e canadenses e descrita em artigopublicado narevista científicaNature Communications.

O trabalho conta comapoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)e foi parcialmente desenvolvido noCentro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), sediado na Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos.

“Esta técnica biofotônica é revolucionária, pois ajuda a evitar a transmissão de doenças durante transplantes de órgãos”, disse oDr. Vanderlei Bagnato, diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e coordenador do CEPOF, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela Fapesp.

O grupo do professor Vanderlei Bagnato trabalhou em parceria com pesquisadores daUniversidade de Toronto, no Canadá, que abriga o maior programa de transplante de pulmão do mundo, com 197 cirurgias realizadas em 2018. Segundo o coordenador do serviço,Dr. Marcelo Cypel, um dos obstáculos para a realização dos procedimentos é a necessidade de descontaminar os órgãos a serem transplantados, principalmente quando o doador era portador do vírus da hepatite C.

“Já foram realizados 10 testes com pacientes [usando a terapia biofotônica]. Em oito casos, a nova técnica se mostrou capaz de reduzir significativamente a carga viral dos órgãos para transplante. Em outros dois, o procedimento praticamente eliminou a presença do vírus”, contou o Dr. Marcelo Cypel.

O método foi descrito no artigoInactivating hepatitis C virus in donor lungs using light therapies during normothermic ex vivo lung perfusion. Os cientistas fizeram uso de luz ultravioleta e de luz vermelha para reduzir a carga viral e bacteriana de órgãos para transplante, evitando que doenças como hepatite sejam transmitidas para os receptores.

Além da Fapesp, também financiaram a pesquisa oCanadian Institutes of Health Research, do Toronto General Western Hospital Foundation, e oConselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo o Dr. Vanderlei Bagnato, a técnica foi inicialmente desenvolvida para tratar pulmões, mas já está sendo adaptada para fígado e rins. “Isso deverá melhorar muito as condições pós-operatórias dos transplantados e, ao mesmo tempo, permitirá aproveitar melhor órgãos que hoje, dependendo do nível de contaminação, são descartados”, concluiu o pesquisador.

Acesse oartigo científico completo(em inglês).

Fonte: Peter Moon, Agência Fapesp. Imagem:pulmão de porco no banho de radiação vermelha para inativação de vírus. Fonte: Cristina Kurachi.