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Teoria e prática da evolução - Biólogo

Publicado em 27 maio 2020

Por Fabrício Marques e Maria Guimarães | Revista Pesquisa FAPESP

Teoria e prática da evolução: Carlos Guerra Schrago: Disciplina que busca reconstituir as histórias das espécies está, ela própria, em mutação, de acordo com biólogo da UFRJ.

Teoria e prática da evolução

Maio/2020 :: Fabrício Marques e Maria Guimarães / Pesquisa FAPESP. CC BY-ND 4.0

O biólogo Carlos Guerra Schrago, do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faz extensas análises de dados no computador, usa estatística e sequências genéticas.

Criacionismo x Evolução

A variedade de objetos de estudo é reveladora de como a mesma teoria pode ser aplicada a todos os organismos, com uma diferença importante: com uma vida efêmera enquanto indivíduos, microrganismos são capazes de perpetuar-se por meio de uma rápida multiplicação.

Motivação na ciência

Aos olhos de um evolucionista, reconstituir a trilha de modificações genéticas resultante dessa replicação se transforma praticamente em um filme que relata sua história.

Graduado em biologia na UFRJ com especialização em bioinformática no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, Guerra concluiu seu doutorado na UFRJ em 2004 e, entre 2018 e 2019, fez estágio de pós-doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Na entrevista a seguir, concedida por videoconferência, ele fala de mudanças pelas quais a teoria evolutiva vem passando e de como reage quando estudantes contestam a disciplina. Para ele, os pesquisadores caem em uma armadilha quando reagem como se houvesse um embate entre religião e ciência.

Talvez a seleção natural não seja a única explicação, mas ainda é a melhor que temos para entender a complexidade dos seres vivos

Entrevista com o biólogo Carlos Guerra Schrago

Seu campo de estudo é a evolução viral. Como você vê a pandemia do novo coronavírus?

Mutação no novo coronavírus

Ainda não analisei o material bruto do coronavírus. Mas chamou a minha atenção que talvez tenha sido a primeira vez que a biologia evolutiva lidou com um problema prático novo, que é avaliar se uma sequência, seja um genoma de vírus ou de bactéria, foi manipulada em laboratório ou não.

O trabalho que mostrou que o vírus Sars-CoV-2 não passou por manipulação, publicado em março na revista Nature Medicine, foi assinado por um grupo de virologistas moleculares que trabalham com evolução e teve uma repercussão considerável. É inclusive um problema geopolítico, porque saber se uma sequência teve ou não origem natural implica avaliar se foi objeto de bioterrorismo.

Esse tipo de trabalho também permite analisar a evolução molecular do vírus para traçar como ele está circulando e tentar fazer previsões…

O coronavírus originou-se em morcegos?

Certamente para a vigilância epidemiológica de qualquer país é relevante saber o ritmo, a taxa de crescimento e de expansão das infecções e tentar traçar de onde esses vírus e sequências vieram. Mas o trabalho feito até agora carece de uma amostragem de sequências maior.

É difícil fazer inferências sobre a dinâmica espacial e temporal de uma epidemia quando a amostragem é incompleta. Em relação ao Sars-CoV-2 circulante no Brasil, mostrou-se que são sequências de vírus originadas da Europa e EUA, mas o esforço de obter amostras não foi homogêneo em todos os países.

Acesse o artigo completo da Revista Fapesp > Carlos Guerra Schrago: Teoria e prática da evolução