Notícia

Jornal de Brasília online

Tentativas de salvar a Terra

Publicado em 12 fevereiro 2007

ONU pressionada deverá convocar uma cúpula mundial. Enquanto isso idéias mirabolantes surgem para evitar o pior

O relatório sobre o clima divulgado há duas semanas pelas Nações Unidas está levando a comunidade internacional a pressionar o secretário-geral da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer, a requerer uma conferência mundial sobre o assunto. Ele disse que vários países poluidores já manifestaram interesse em participar de uma cúpula mundial de emergência para debater a crise climática.
Isso aumenta a pressão sobre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para convocar a cúpula. De Boer disse ter recebido sinais positivos até do governo dos Estados Unidos. Enquanto oficialmente a comunidade internacional espera uma convocação da ONU, idéias isoladas surgem para tentar minimizar os efeitos da catástrofe climática que provocará o aquecimento de mais quatro graus na temperatura da Terra até o final deste século.
Uma idéia original está dando o que falar. Vem do governo da Noruega o projeto chamado "cofre do fim do mundo" que vai abrigar sementes de todas as variedades conhecidas de plantas com valor alimentício. Essa caixa-forte internacional será construida dentro de uma montanha em uma ilha remota perto do Pólo Norte.
O cofre tem o objetivo de salvaguardar a agricultura mundial de catástrofes futuras, tais como guerra nuclear, queda de asteróides e a mudanças climáticas. A construção começa em março e o banco de sementes deverá entrar em operações em 2008. O governo norueguês está custeando os US$ 5 milhões da construção da caixa forte.

Recompensa
Na Inglaterra, o gerente da gravadora Virgin, Richard Branson, ofereceu uma espécie de recompensa de 13 milhões de libras (R$ 53 milhões) ao cientista que desenvolver uma maneira de salvar o planeta do aquecimento global. Apoiado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, Branson clamou aos especialistas que pensem em uma maneira de retirar os gases estufa da atmosfera.
Segundo ele, a maioria das pessoas tem aquela idéia de que, quando o planeta está sob ameaça, um super-herói vai aparecer e salvar todos da catástrofe. "Hoje nós estamos sob ameaça. E ainda temos que convencer muitas pessoas que esta ameaça é urgente e que não existe um super-herói", comparou.

Pesquisadores apontam importância do gás carbônico
O dióxido de carbono, um dos grandes vilões da sociedade moderna já teve seus dias de herói. Alguns dias após a divulgação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que destaca o papel da poluição promovida pelo homem no aquecimento global e afirma que a Terra vai ficar 4º C mais quente até o final deste século, um novo estudo vai na contramão e afirma a importância do dióxido de carbono na vida do planeta.
"O estudo destaca que o gás responsável por manter as temperaturas na superfície acima do ponto de congelamento há cerca de 3,75 bilhões de anos pode ter sido o dióxido de carbono", disse Nicolas Dauphas, professor de ciências geofísicas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, em comunicado da instituição. Os resultados do trabalho estão publicados na nova edição da revista Earth and Planetary Science Letters.

Rochas sedimentares
A pesquisa, conduzida por cientistas dos Estados Unidos e da França, consistiu na análise — em laboratório — de rochas sedimentares encontradas na baía de Hudson, na província de Quebec, no Canadá. Descobertas em 2001, as rochas são, ao lado de outras encontradas na Groenlândia, as mais antigas de que se tem notícia na história do planeta, de acordo com a Agência Fapesp.
Estudos anteriores destacaram que água em forma líquida existia na superfície terrestre ainda que o Sol mais fraco não fosse capaz de aquecer o planeta além das condições de congelamento, há bilhões de anos. E é aí que entra a importância das concentrações de gases para manter a água no estado líquido.
Estudos feitos com as rochas antigas encontradas na Groenlândia haviam indicado a existência de água do mar nos sedimentos. Agora, a análise das rochas canadenses mostra que na fase inicial da história terrestre os oceanos também continham carbonatos de ferro.
Carbonatos de ferro se formam apenas em uma atmosfera com elevados níveis de dióxido de carbono, muito maiores do que os verificados atualmente.

Alemanha aceita limite de emissão
A Alemanha cedeu na sexta-feira à Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia, UE) em meio ao impasse em torno dos limites de emissão de gases do efeito estufa para 2008-2012, afirmando que não contestaria as metas fixadas pelo órgão.
A direção da UE exigiu em novembro que a Alemanha observasse um limite 6% menor que o inicialmente sugerido pelo governo alemão. O impasse ameaçava colocar o país mais poluente da Europa em maus lençóis. A Alemanha vem dizendo que quer fazer do combate ao aquecimento global o carro-chefe de seus mandatos à frente da UE e do G-8 (Grupo dos Oito).
O governo alemão aceitou o limite imposto pelo Executivo do bloco europeu, mas afirmou ter obtido, em troca, algumas vantagens não especificadas.