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Ambientebrasil

Tendência de melhora

Publicado em 10 janeiro 2006

Por Eduardo Geraque, Agência FAPESP
Os números não estão fechados. Mas, mesmo com o relatório de 2005 da Cetesb - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental em fase de conclusão — o documento deverá ficar pronto em março —, é possível perceber uma tendência de melhora na qualidade do ar da região metropolitana paulista.
"A situação melhorou em relação aos anos 1980 e 1990", afirma Maria Helena Martins, gerente do setor de amostragem e análise da qualidade do ar da Cetesb. O caso do monóxido de carbono é um dos mais emblemáticos. Enquanto em 1997 as medições da Cetesb registraram por 65 vezes a ultrapassagem do limite estabelecido como ideal, em 2004 o mesmo fenômeno ocorreu apenas cinco vezes. "E, em 2005, houve uma única ultrapassagem", disse Maria Helena à Agência FAPESP.
O limite estabelecido por lei para esse poluente é uma concentração máxima de 9 partes por milhão em um período de 8 horas. "Embora tenha se observado quedas no passado a tendência atual para o monóxido de carbono é de estabilidade", afirma a gerente da Cetesb.
Na segunda-feira (9), a pesquisadora deu uma palestra sobre a qualidade do ar na região metropolitana de São Paulo, no primeiro dia do Workshop on Air Quality Forecasting in Latin American, que termina no dia 13 no IAG/USP - Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. O evento reúne especialistas do Brasil e do exterior.
O objetivo principal do workshop é realizar discussões sobre modelagem e tratamento de dados da qualidade do ar em cidades na América Latina. As atividades estão ligadas ao Global Atmosphere Watch/Urban Research Meteorology and Environment, projeto da OMM - Organização Meteorológica Mundial, instituição do quadro da Organização das Nações Unidas.
Além do monóxido de carbono, em 2005 a capital paulista apresentou, segundo informou Maria Helena, melhoria nos índices de material particulado presente no ar e nas emissões de fumaça.
No lado das más notícias, o pior problema para a respiração dos paulistanos continua sendo o ozônio. "Esse poluente não tem uma tendência definida ainda. Em 2004, em 62 dias ele passou o limite ideal de 65 microgramas por metro cúbico e em 25 desses dias a qualidade do ar foi considerada má", disse Maria Helena Martins. Os valores referentes a 2005 estarão no relatório da Cetesb.
Em termos de fontes de poluentes, a situação tem permanecido inalterada. Desde que as fábricas deixaram a cidade ou passaram a ser mais bem controladas, os grandes poluidores da atmosfera paulista passaram a ser os veículos. Em média, eles respondem por 37% do material particulado fino em suspensão na atmosfera.
Mesmo com a frota aumentando — hoje são 7,8 milhões de carros em circulação —, a Cetesb tem registrado uma melhora na qualidade do ar. Segundo Marina Helena, o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) é o principal responsável por isso. "Em 1998, um veículo emitia 33 gramas de monóxido de carbono por quilômetro rodado. Hoje, um carro novo emite apenas 0,35 grama", conta.