O bebê nasceu antes do esperado. É preciso ir imediatamente para a UTI neonatal, pois só assim ele sobreviverá. Como o pulmão ainda não está completamente formado, em minutos ele é entubado.
O equipamento indica que o coração bate forte, mas ainda é preciso uma série de procedimentos, alguns dolorosos, para que ele ganhe peso e sobreviva.
A cena é muito comum, ainda mais no Brasil que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, é o 10º país com a maior taxa de nascimento prematuro. Mas a cena revela também a existência de um paradoxo: ao mesmo tempo que a UTI neonatal é altamente estressante para o bebê, é somente nesse ambiente e com o apoio da equipe multiprofissional especializada em recém-nascidos que ele pode sobreviver.
De acordo com estudo realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), apoiado pela Fapesp, independentemente do nível de prematuridade e da presença de displasia pulmonar e retinopatia da prematuridade, é o tempo de internação na UTI neonatal que impacta nos problemas de comportamento relacionados ao eixo de regulação emocional dos bebês. Para os pesquisadores, o achado confirma a necessidade de programas de cuidados do desenvolvimento na estrutura das UTIs neonatais, tanto para reduzir experiências estressantes e dolorosas como para melhorar as estratégias de proteção durante o desenvolvimento inicial do bebê.
O estudo examinou efeitos das características neonatais e sociodemográficas sobre o temperamento e o comportamento na infância em 100 bebês prematuros de 18 a 36 meses de idade com diferentes níveis de prematuridade. (Agência Fapesp)