Notícia

Gazeta Mercantil

Tempo de inovação tecnológica

Publicado em 19 agosto 1998

Não há inovação tecnológica que tenha prescindido da persistência humana em resolver problemas ou contornar obstáculos considerados intransponíveis. Mas, no processo, sempre se conta com objetivos (necessidades) e conhecimento. O Brasil está maduro para inovar porque precisa vencer barreiras. Dificuldades de importação, por exemplo, tanto quanto as necessidades de vender para outros mercados, costumam gerar enormes oportunidades de inovação tecnológica. O caminho, nesse caso, é o uso inteligente de recursos naturais e da transformação de matérias-primas alternativas. E isso o País tem de sobra. Um pouco de conhecimento (sabor como fazer) começa a fruir dos grandes empreendedores para seus clientes terceirizados, através de treinamento, normas e especificações. Outra parte vem da multiplicação de incubadoras. Mas é preciso acelerar o fluxo de informação e os processos de contato das universidades e institutos de pesquisas com as pequenas empresas; fomentar os estágios de estudantes e direcionar os departamentos técnicos das entidades empresariais para o apoio à geração de novos negócios. Estamos num bom momento, porque a universidade brasileira está em discussão e também porque os institutos de pesquisa necessitam de suporte para desenvolver seus estudos. O tempo igualmente é oportuno no caso dos estudantes que precisam se qualificar para novos desenhos de mercado e das associações empresariais cuja representatividade deverá ser construída entre muitos competidores. Ao governo, em cada instância, deve caber desobstruir os canais que podem irrigar essas porções da sociedade, limpando a papelada que mantém a informalidade e a burocracia que impede aos estabelecidos aproveitar as oportunidades com seu próprio empenho e risco.