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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Temperatura em Bauru está 2ºC mais alta

Publicado em 12 fevereiro 2006

Por Érika Pelegrino
Dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas apontam tendência de aumento gradativo das máximas entre 1998 e 2005

Nos últimos oito anos foi registrada uma tendência de aumento de temperatura em Bauru de até 2ºC. Os dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp são baseados em análise das temperaturas máximas que ocorrem durante o dia entre às 15h e às 16h, fora do horário de verão. Foram analisadas as máximas ocorridas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 1990 à 2005. Segundo o meteorologista do IPMet e professor doutor do curso de Ciências Aeronáuticas do Instituição Toledo de Ensino (ITE), José Carlos Figueiredo, o levantamento demonstra que até 1998 a média da temperatura máxima em Bauru era de 31ºC e a partir desta data passou a ser aproximadamente 33ºC.
"Os dados medidos no câmpus da Unesp em uma estação automática a cada cinco minutos demonstram um aumento gradativo da temperatura máxima em Bauru", afirma Figueiredo. "E o que observamos é que a tendência é aumentar ainda mais."
O meteorologista atribui o aumento de temperatura à degradação ambiental do município. "Os principais fatores que influenciam na elevação da temperatura são a ausência de frentes frias, ausência de barreiras naturais, ausência de vegetação na cidade e elementos poluidores", afirma. "Tenho certeza que o aumento de temperatura em Bauru está relacionado com crescimento urbano desordenado, sem planejamento ambiental."
Figueiredo afirma que a grande concentração de vegetação nativa de Bauru (cerrado e mata atlântica) está na região da Unesp. "Hoje de avião é possível ver apenas fragmentos desta vegetação. Foi praticamente dizimada. De uns cinco anos para cá foram construídos condomínios na região, acabando com a vegetação."
Bauru acompanha a evolução de temperatura do planeta com fenômeno do aquecimento global. De acordo com informações da Agência FAPESP, estudo realizado pela Nasa (agência espacial norte-americana) apontou 2005 como o ano mais quente do século, superando 1998, quando ocorreu uma acentuada elevação da temperatura em função do fenômeno do El Niño. O preocupante para cientistas é a elevação da temperatura sem a ocorrência de fenômenos climáticos como o El Niño. Ainda conforme a Agência FAPESP, o aquecimento total nos últimos 100 anos é de 0,8ºC, sendo 0,6ºC nas últimas três décadas.

Qualidade ambiental
Dentre as medidas que o poder público está tomando para melhoria da qualidade ambiental, algumas visam envolver a comunidade nos cuidados com áreas verdes, plantio de árvores e conservação do meio ambiente em geral. Entre elas, campanha de educação ambiental nas escolas municipais e projeto de lei de adoção de área de verde que está na Câmara Municipal. O secretário do Meio Ambiente, Carlos Barbieri afirma que já estão elaboradas cartilhas que abordam a questão ambiental como um todo, desde problemas com lixo até questões relacionadas com arborização.
"Trabalhamos inicialmente com as crianças que influenciam os adultos", afirma. O projeto de adoção de áreas verdes tem por objetivo convocar empresários para que se responsabilizem por praças, parques, bosques, rotatórias, canteiros, e em troca explorem o espaço para publicidade.
Barbieri afirma que é preciso conscientizar o cidadão para faça sua parte, mesmo que seja plantar uma árvores em frente sua casa e cuidar de sua manutenção. "Com esta ação cada um estará contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental e o conforto térmico".
Na avaliação do secretário algumas adequações devem ser feitas na forma como a população convive com o meio ambiente, no que diz respeito à arborização. De acordo com ele, há os que consideram a árvore um transtorno e aqueles que não aceitam que nenhuma seja cortada.
Para o primeiro grupo o secretário afirma que algumas medidas simples podem evitar os possíveis transtornos causados pela árvore. Por exemplo: uma telinha de proteção na calha evita que folhas a entupam; para evitar que a calçada seja quebrada duas medidas devem ser tomadas: poda correta, e a não compactação do solo na hora de fazer a calçada.
Já para o segundo grupo Barbieri esclarece que árvore em locais públicos deve ser manejável. Para tanto, são observados alguns critérios: vida útil da árvore (em média 15 anos), se está causando dano para o bem público e privado, e para si própria. "Quando a árvore entre em declínio é preciso substituí-la, ao contrário das áreas de conservação - parques, bosques - onde são plantadas espécies que duram de 500 a 3.000 mil anos."