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Telas para eletrônicos são produzidas no País

Publicado em 29 setembro 2005

O display, ou tela que exibe informação, é o item mais caro entre os componentes para a indústria eletroeletrônica e de informática, respondendo por até 70% do valor total, além de contribuir para os US$ 8 bilhões de déficit na balança comercial eletrônica de exportação e importação do Brasil. Este quadro, entretanto, aos poucos começa a se reverter. LC Indústria Eletrônica e Displaytec, ambas localizadas no Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, iniciam pioneiramente a produção de displays de cristal líquido ou LCD para equipamentos de pequeno porte. Além delas, mais cinco empresas ligadas a área surgem ligadas ao Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), de Campinas, que realiza estudos com display.

A LC Indústria Eletrônica está com a demanda está tão aquecida que a empresa vem sendo obrigada a investir em novos equipamentos e na contratação de pessoal. "Destinamos, todo mês, R$ 30 mil em maquinário e mesmo assim não estamos dando conta de atender todos os pedidos. Por isso, vamos também triplicar o número de funcionários, apesar de o processo de fabricação ser bastante automatizado", garante Marcelo Minhos, diretor industrial da LC, que recebeu investimentos de R$ 500 mil para a sua instalação e contava, inicialmente, com cinco funcionários e hoje são quinze.

A projeção de faturamento da empresa é na ordem de R$ 1,2 milhão para este ano e R$ 3,6 milhões no final de 2006. A LC espera dobrar a produção para atender os pedidos das montadoras de equipamentos eletroeletrônicos e do setor de propaganda. Atualmente, a empresa fabrica 10 mil unidades de Monitores de Cristal Líquido e mil painéis de informação flexíveis para propaganda, por mês. "Estamos vendendo para São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás. Porém, para Minas Gerais ainda pouco, pois é mais fácil para o empresário comprar de empresas de fora do que de empresas instaladas no Estado por causa dos impostos", reclama o empresário, que integrou o CenPRA, antes de se aventurar no negócio.

A Displaytec também está otimista com o mercado e planeja dobrar produção e faturamento em 2006. Especializada na fabricação de módulos de caracteres em Monitores de Cristal Líquido (LCD), a empresa também acredita na maior penetração dos mostradores de informação nas Unidades Centrais de Processamento (CPUs) que formam os computadores.

Instalada desde 2001 no sul de Minas, a empresa com nove funcionários, produz 7 mil módulos de caracteres em LCD por mês. "Pretendemos dobrar número de colaboradores, produção e faturamento. Inclusive, já temos contratos de fornecimento assinados com algumas empresas que garantirão nossa produção", diz Gilmar Chaves, proprietário da Displaytec. A previsão de receita para este ano é de R$ 1,2 milhão. Para 2006, a expectativa sobe para R$ 2,5 milhões.

As empresas nacionais, pioneiras na fabricação de displays, atuam em telas de LCD para aplicações de pequeno porte, como as utilizadas em celulares e relógios, segundo Alaíde Mammana, pesquisadora no CenPRA. No Brasil, o maior mercado em valor é justamente os displays utilizados em aplicações maiores, como em televisores, notebooks, computadores. Com conhecimento disso, o CenPRA incentiva estudos tanto para a produção de telas de grande porte como pesquisas de novas tecnologias para concorrer com plasma e LCD.

Um exemplo é a BRDisplays , que iniciou há um mês pesquisas para desenvolver um display de grande porte substituto de painéis de rua (outdoor) e painéis de aeroportos e rodoviárias. O estudo tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiu R$ 100 mil na primeira fase — que avalia a viabilidade — e vai destinar mais R$ 300 mil. O estudo trabalha com outro material para os painéis, o chamado PDLC (Polymer-Dispersed Liquid Crystals). "O LCD não é apropriado para ser usado na luz solar, por isso utilizamos o PDLC", diz Antonio Junqueira, presidente da empresa.

Além deste estudo, a BRDisplays também atua em reparos de monitores de notebooks. "Temos uma parceria com a Itautec e atendemos cerca de 20 máquinas por mês. Fazemos reparos de monitores de 15 polegadas, que já ultrapassaram o período de garantia", explica Junqueira. O executivo afirma que existem negociações com a Hewlett-Packard e Dell para expandir os serviços.
Pesquisa Pioneira

A Numina Nanotecnologia , também ligada ao CenPRA, realiza há dois anos uma pesquisa com uma nova tecnologia para aplicação em televisores de grande área, chamada de FED (Field Emission Display). Segundo Vitor Hering, sócio administrativo da empresa, a inovação ainda não está disponível no mercado e o Brasil detém conhecimentos compatíveis com o restante do mundo para entrar numa disputa no mercado futuramente. " Motorola , Samsung e Canon-Toshiba são três grupos de estudos empresariais para esta tecnologia. Acompanho mais de perto a da Motorola que, mesmo atuando em celulares, não descarta o mercado de televisores. Se ela tiver a tecnologia e for viável, tem flexibilidade para atuar em outros segmentos", afirma Hering.

A empresa já registrou uma patente nos Estado Unidos e foi premiada em 2001 durante o principal congresso da área de display no Japão. A pesquisa é feita em parceria com a Fapesp, que investiu cerca de R$ 300 mil e a HP que colaborou com mais R$ 500 mil durante os dois anos. Como a pesquisa definiu sua atuação em displays para televisores de 50 polegadas, talvez a HP não continue parceira deste projeto, segundo o executivo. Em seis meses, Hering planeja apresentar uma tela portátil, que não terá as mesmas funcionalidades que o display de grande porte teria, mas será um teste.

O FED será um concorrente do LCD ou cristal líquido e do plasma. Hering ainda não sabe mensurar a diferença de valor, mas garante que a inovação será mais barata. "O número de processos industriais para obter o FED é menor do que LCD ou plasma". A estrutura da inovação é semelhante às televisões de tubo, em que a formação da imagem é feita com emissão de elétrons em colisão com fósforo. Entretanto, Hering garante que a nitidez da imagem é semelhante às tecnologias mais avançadas. Para a pesquisadora Mammana, a tecnologia é importante para o Brasil ganhar notoriedade mundial