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Tecnologias verdes - Plasma ajudará a produzir etanol

Publicado em 27 novembro 2010

Agência Fapesp

SÃO PAULO - A atual fronteira da obtenção do etanol está nas paredes celulares dos vegetais formadas por um polímero difícil de ser quebrado: a celulose.

Desenvolver meios economicamente viáveis para decompor a celulose é fundamental para o etanol de segunda geração, que poderá aumentar a produção brasileira do biocombustível sem ter que alterar a extensão das plantações.

Utilizar enzimas encontradas nos aparelhos digestivos de cupins e de animais ruminantes é um modo de decompor o polímero, assim como lançar mão de ácidos para provocar uma quebra química da estrutura.

Uma equipe do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas (SP), optou por uma terceira rota para liberar açúcares da celulose: bombardeá-los com cargas elétricas geradas por um plasma, gás ionizado considerado o quarto estado da matéria.

O projeto, coordenado pelo pesquisador Marco Aurélio Pinheiro Lima, do CTBE, tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa - Projeto Temático.

A quebra é semelhante ao que ocorre na rota enzimática, na qual as enzimas mudam cargas elétricas de lugar, saturando uma ligação e provocando o seu rompimento. "Vamos tentar fazer isso só que utilizando uma descarga elétrica", disse Lima à Agência FAPESP.

Após a quebra, surgem espaços que são preenchidos com pedaços das moléculas de água e o novo rearranjo forma os açúcares. Para dar certo, o processo deve ser controlado e as quebras executadas com cuidado para manter os açúcares intactos, pois são eles que darão origem ao etanol por meio da fermentação.

A pesquisa deve também revelar outros modos de se fazer álcool, podendo até mesmo pular a etapa da fermentação por meio de uma combinação de parâmetros até então desconhecida.