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Revista TAE - Tratamento de água e efluentes

Tecnologias brasileiras prometem baratear a detecção de vazamentos de água

Publicado em 10 abril 2017

Robô desenvolvido por empresa goiana chega a custar um quinto valor de equivalente importado; correlacionador de ruídos paulista segue o mesmo rumo

Hoje, estima-se que, para cada 10 litros de água limpa produzida no Brasil, 3,67 litros são perdidos – seja por meio das chamadas perdas físicas ou por perdas aparentes (leia quadro no fim da matéria). Combater as perdas desse precioso recurso é fundamental. E, em breve, a luta, nesse sentido, deve ganhar dois novos aliados tecnológicos desenvolvidos no País.

O robô que caça vazamentos

Reparos e inspeções em tubulações inacessíveis são tão importantes de fazer quanto são caros e trabalhosos. Chegar a essas tubulações frequentemente requer obras que demoram e atrapalham a vida de ruas, bairros e até cidades. Para contornar a dor de cabeça que é ter que abrir um buraco para chegar na infraestrutura de distribuição de água, três engenheiros goianos criaram a RYD Engenharia, hoje incubada no Centro de Empreendedorismo e Incubação da Universidade Federal de Goiás (UFG), e desenvolveram o robô VX1-300.

A novidade tem duas câmeras, iluminação própria, sensores que detectam inclinação e aceleração, e sistema que envia informações da inspeção em tempo real via cabo de 100 metros de comprimento até um terminal. O melhor de tudo: segundo seus criadores, ele custa um quinto do valor das versões americanas e europeias atualmente disponíveis no mercado e com custo médio de R$ 1,5 milhão. A RYD já faz apresentações do produto a clientes em potencial e despertou interesse de indústrias como a de serviços ambientais e fornecimento de água.

Um detector de vazamentos para o Brasil

Os “correlacionadores de ruído” não são exatamente uma novidade no ramo da detecção de vazamentos no Brasil. Mas esses equipamento são caros e importados (cerca de R$ 100 mil, sem impostos e frete) e, por isso, nem sempre estão disponíveis nas quantidades necessárias. Cientes desse problema, um grupo de pesquisadores criou um projeto que se vale do acordo de cooperação firmado entre Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista) para desenvolver um correlacionador de ruídos inteiramente nacional – e mais em conta.

Liderado pelo pesquisador Inglês Michael Brennan, o projeto já está na fase de testes no CEQ (Centro de Exames e Qualificações) do Complexo Costa Carvalho da Sabesp, na capital paulista. O correlacionador de ruídos brasileiro tem hardware e software nacionais e será desenvolvido com as especificidades locais em mente, como tipo de solo, material das tubulações e outras variáveis. A aposta é que, em breve, se tenha um produto desenvolvido e pronto para o mercado.