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Correio Popular online

Tecnologia VoIP revoluciona a comunicação nas empresas

Publicado em 07 agosto 2005

Por Maria Finetto

Sigla de 'Voz Sobre Protocolo de Internet', sistema permite conversas via web

Os funcionários da Transportadora Capivari vão poder fazer ligações telefônicas de Campinas para as filiais espalhadas por todo o País sem pagar os interurbanos. O sócio da empresa José Otávio Bigatto descobriu o VoIP - para quem não sabe, Voz sobre Protocolo de Internet. Em outras palavras, é a tecnologia que permite a transmissão de voz pelo mesmo caminho por onde já trafegam as informações na internet.

A novidade é uma revolução no jeito de se comunicar e atrai gente de toda parte do planeta porque reduz o custo dos interurbanos nacionais e internacionais entre 30% a 70% e, em alguns casos, sai de graça. Bigatto espera reduzir a zero a conta telefônica com as filiais e assim ter o retorno do seu investimento no VoIP entre três a quatro meses, no máximo. Para telefonar pela internet é preciso contratar o serviço de uma operadora de telefonia IP. O empresário adquiriu um número exclusivo da Tellfree e para a mesma empresa encomendou os aparelhos IP, iguais aos telefones comuns, mas que podem ser usados para receber e fazer chamadas de qualquer parte do mundo, desde que haja uma conexão de banda larga (internet rápida).

Dessa forma, um executivo de uma companhia de São Paulo que viaja para Nova York pode levar um número exclusivo de VoIP e utilizá-lo nas suas viagens. Quando esse executivo estiver em Nova York, ele usará a internet para acessar o número originando e recebendo as chamadas como se estivesse em São Paulo. E caso ele tenha que ir para qualquer outro lugar do mundo, continua utilizando o número para as chamadas, necessitando apenas de um acesso à internet. A Tellfree é uma das 26 empresas do País que oferecem serviços de telefonia pela internet e estão cadastradas na Teleco, site organizado por um grupo de profissionais de telecomunicações que publica semanalmente tutoriais sobre diversos temas de interesse do setor e comentários de mercado.
Conexões

A Tellfree é gaúcha, se apresenta como a primeira operadora de telefonia virtual do Brasil e acaba de desembarcar em Campinas. A empresa é representada pela VC Telecom, no Jardim Chapadão, e tem como meta conquistar 10 mil assinantes de serviços pagos de VoIP na cidade e em toda a região até o final deste ano. Parece ambicioso demais? Nem tanto se considerarmos as oportunidades de negócios. O número de conexões de banda larga cresce em média 90% ao ano, segundo Eduardo Tude, presidente do Teleco.

O Brasil tinha 1,2 milhão de pontos de acessos à internet de alta velocidade até 2003. Este número saltou para 2,2 milhões em 2004 e para 2,5 milhões até março deste ano. Há quatro empresas de telefonia fixa que oferecem a banda larga no País - a Telemar, Brasil Telecom, Telefônica e GVT. A Telefônica tem o Speedy, serviço que nasceu em 2000 como sinônimo de internet rápida. A operadora anunciou no mês passado ter atingido a marca de 1 milhão de clientes do Speedy. A marca histórica do serviço torna o Estado de São Paulo o maior pólo de banda larga do Brasil e da América Latina. O produto lidera o mercado de internet rápida no País e no continente, com um ritmo de crescimento superior a 50%. Entre dezembro de 2003 e dezembro de 2004, por exemplo, o número de assinantes cresceu 70%, passando de 484 mil para 826 mil. Até o final de 2005, a Telefônica estima que o número de cliente alcançará 1,3 milhão.

Telefonar pelo computador já é uma realidade
Usar a internet como telefone não é nenhuma ficção para quem já conhece o Skype. Trata-se de um programa pioneiro em fazer ligações gratuitas entre computadores. Mas que não pode receber chamadas de telefones convencionais. Neste vácuo, as empresas que oferecem serviços de telefonia pela web contam vantagens.

No caso da Tellfree, a pessoa ou empresa fala através de um telefone convencional que está conectado a um IAD, equipamento que faz a ponte entre o telefone e a internet e transforma a voz em pacotes de dados. O pacote é transmitido pela internet até a central de serviços Tellfree, que identifica a origem e o destino da igação. A partir desse ponto a central identifica o número de destino e encaminha a ligação para todos os ramais. "Como o produto ignora qualquer tipo de geografia, todos os usuários dessa tecnologia podem estabelecer contato, possibilitando assim uma cadeia de comunicação totalmente gratuita", afirma Luiz Antonio Salvador, superintendente de Vendas da VC Telecom.

Outra vantagem, segundo ele, é que não são cobradas tarifas mensais. "Basta o usuário adquirir um dos modelos do aparelho telefônico e conectar-se com qualquer parte do planeta onde também haja um aparelho Tellfree", argumenta Salvador. A empresa cobra uma habilitação de R$ 168,00 por número exclusivo do VoIP. Os preços dos aparelhos custam R$ 850,00 em média. Não é cobrada mensalidade. A Tellfree escolheu Campinas e região metropolitana de olho na concentração de grandes empresas e "uma vasta diversificação setorial que oferece, portanto, ótimas possibilidades de negócios", diz Wagner Catarino Júnior, gerente de Marketing da VC Telecom.

Turismo
"Uma agência de turismo que faz ligações diárias para diversos países conseguiu reduzir seus custos com telefonia em até 70%", diz Gilberto Novaes, diretor da Wstation, outra empresa que oferece serviços de telefonia pela web, localizada em Jundiaí. De acordo com Novaes, uma outra empresa que possui unidades no Rio de Janeiro, em São Paulo e Jundiaí, passou a economizar R$ 5 mil por mês. "A conta de telefone da empresa gerava custos em torno de R$ 8 mil. Agora, eles pagam R$ 3 mil", comparou.

Segundo pesquisa realizada pela Deloitte, a tecnologia VoIP tende a se incorporar brevemente ao dia-a-dia da maior parte das grandes empresas. A pesquisa apontou que mais de dois terços das 2 mil maiores companhias do mundo terão, até o final de 2005, implantado a VoIP em suas operações. A razão principal é a possibilidade de custos, fator apontado por 84% das companhias.

Futuro aponta para rede elétrica
Se é possível fazer ligações telefônicas pelo computador, porque não acessar a internet direto de uma simples tomada de eletricidade, a mesma que você liga uma geladeira? Tecnologia para isso existe e tem até nome: PLC - Power Line Communication. Em português, é um sistema que usa a rede elétrica como meio para a transmissão de dados pela internet em banda larga.

A implantação da tecnologia PLC vem sendo estudada e testada desde o ano 2000 pelas principais empresas de energia elétrica do País. O objetivo é validar a tecnologia no mercado e, claro, torná-la comercializável. Uma empresa de Campinas já desenvolve um projeto de planejamento de implantação e viabilidade econômica de redes de telecomunicações aplicadas à tecnologia PLC. É a KNBS (Knowledge Networks & Business Solutions), empresa incubada no Núcleo Softex Campinas. O projeto da empresa foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dentro do Programa de Incentivo à Pequenas Empresas (PIPE).

A empresa desenvolve um software que vai permitir as corporações terem um posicionamento da viabilidade do uso da tecnologia em determinada região, antes de sua implantação. "O PLC apresenta uma solução para o planejamento e análises que devem preceder uma implantação, consciente do volume de investimentos e do desafio de atingir as metas de vendas, para a garantia da viabilidade técnica e econômica da etapa do negócio", explica Carlos Alberto Fróes Lima, sócio e diretor de marketing da KNBS.

A empresa presta consultoria há dois anos para distribuidoras de energia (os nomes não podem ser divulgados) que estão de olho na possibilidade de entrar nesse mercado tão promissor. Fróes prevê que o software esteja pronto no final de 2006. Para ele, a decisão da Fapesp de apoiar o projeto mostra a visão do mercado nacional para este novo tipo de tecnologia. O uso da PLC abre uma infinidade de oportunidades de negócios para estas empresas. Tanto que foi criada, em 1999, a Associação de Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), que tem o objetivo de representar e apoiar seus membros (empresas dos setores de energia elétrica, petróleo, gás, ferrovias, rodovias, saneamento e outros) que possuem, gerenciam ou provêem sistemas de telecomunicações críticos para seu "core business".